Com o trigo entre 12% e 15% mais caro neste ano, padarias de todo o país absorvem parte do aumento da farinha e tentam limitar o reajuste do pãozinho a 4%. Safra nacional menor, mais importação e clima ruim no Sul explicam a pressão, segundo entidades do setor.
O trigo ficou entre 12% e 15% mais caro em 2026, segundo estimativa de Alex Martins, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), em entrevista à CNN Brasil. Em anos considerados normais, a alta costuma ficar perto de 5%.
O aumento chega às padarias pela farinha, que responde por cerca de 70% da receita do pão de sal. No custo total do estabelecimento, a farinha pesa entre 20% e 30%, conforme o tipo de produto vendido.
Mesmo assim, o setor evita repassar tudo ao cliente. A expectativa é que o reajuste do pão francês fique limitado a 4%, enquanto a maior parte da alta recai sobre outros itens feitos com farinha e considerados menos essenciais. Para Martins, o pãozinho é um produto popular, e cobrar o aumento inteiro afastaria a freguesia. Ele relatou ainda que muitos consumidores estão trocando produtos caros por mais baratos, o que tem feito crescer a venda do pão francês.
A pressão começa antes, nos moinhos. Paloma Venturelli, presidente do Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR), informou que as indústrias repassaram, em média, de 10% a 15% da alta dos custos e ainda precisam de novos reajustes. Alguns moinhos tentaram subir 5% e não acharam compradores; outros reduziram o volume de moagem para não vender sem margem. Ela classificou 2026 como o ano mais desafiador dos últimos 20 anos.
No campo, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontou que a safra brasileira de 2026 deve cair 23,5%, o que deve exigir a importação de mais 1,9 milhão de toneladas em 2027. O excesso de chuva no Rio Grande do Sul, principal produtor, pode comprometer quantidade e qualidade do grão. A qualidade do trigo argentino, principal origem do cereal importado, também preocupa. A entidade citou ainda a desvalorização do farelo de trigo, puxada pela queda do milho, o que reduz a receita dos moinhos. Apesar do cenário, a Abitrigo descarta risco de desabastecimento.
Para o produtor do Maranhão e do Médio Mearim, a alta do trigo aparece principalmente na hora das compras: pão, biscoito, bolo e macarrão tendem a pesar mais no orçamento da família. Quem tem padaria ou faz pão e bolo para vender precisa refazer as contas com cuidado, observando que o próprio setor prefere segurar o preço do pãozinho e ajustar outros produtos. Já o criador que usa farelo de trigo na ração deve acompanhar as cotações, já que a indústria informou desvalorização desse coproduto.
Com safra nacional menor e mais importação pela frente, o preço do trigo segue no radar. O momento pede atenção às contas, comparação de preços e cuidado na hora de reajustar o que se vende.
Fonte: A TARDE (com informações da CNN Brasil) e Canal Rural (com informações da Abitrigo).
