Técnica criada pela Epagri e lançada em 2002 conduz o pepino para cima, longe do chão, e se espalhou pelo Vale do Itajaí (SC). Além de elevar a produtividade, o sistema facilita a colheita e reduz o uso de fungicidas, segundo produtores e pesquisadores.
Plantar pepino rente ao chão virou quase coisa do passado no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. Lá, os produtores adotaram o tutoramento vertical, técnica em que a planta é conduzida para cima. Com ela, a produtividade passou de 15 para 65 toneladas por hectare.
No chão, o fruto fica mais exposto às doenças causadas pelo excesso de umidade. Na vertical, as plantas recebem mais sol e ventilação, crescem mais vigorosas e atendem aos padrões exigidos pela indústria. A técnica, lançada pela Epagri em 2002, também facilita o manejo, permite colocar mais plantas por área e exige menos fungicida. Hoje, cerca de dois mil agricultores produzem pepino para conserva no estado.
O pesquisador Rafael Cantú, que trabalhou no Projeto Hortaliças até 2024, conta que o sistema foi adaptado pelo pesquisador aposentado Euclides Schallenberger, da Estação Experimental da Epagri em Itajaí, a partir de técnicas usadas em culturas como o tomate. Hoje ele é aplicado no cultivo convencional e no orgânico, a céu aberto ou protegido. Segundo Cantú, o uso de cultivares híbridas que só produzem flores femininas também aumentou o número de frutos por planta, e a recomendação é usar sementes e mudas certificadas.
Em Botuverá, o técnico agrícola Tarcísio Dalcegio Jr. adotou o sistema por sugestão da Conservas Petermann, de Brusque. Em 2023, chegou a colher 900 kg de pepino num único dia, e a safra daquele ano somou 20,5 toneladas. Para ele, o pepino para conserva é a hortaliça que mais dá retorno, porque o preço pode ser negociado antes do plantio.
Em Blumenau, Maris Passold Gruenke afirma que a qualidade de vida da família melhorou com o cultivo vertical: o fruto não encosta mais na terra e a retirada das folhas ficou mais fácil. Depois de 20 anos fornecendo para a indústria, ela passou a vender na feira livre em 2017 e planeja ter a própria agroindústria de conservas.
Para o horticultor do Maranhão, a experiência catarinense mostra que mudar a forma de conduzir a planta pode aumentar muito a colheita no mesmo espaço. Com o pepino em pé, há menos doença por umidade, colheita mais confortável e frutos mais limpos, o que agrada tanto a indústria quanto o consumidor da feira. Antes de adotar o sistema, é importante buscar orientação técnica, escolher sementes e mudas certificadas e avaliar o mercado da região, já que os resultados foram obtidos em Santa Catarina.
Com uma mudança na condução das plantas, produtores de Santa Catarina colhem mais e trabalham melhor. O pepino em pé mostra como a tecnologia da pesquisa pública pode transformar a rotina da roça.
Fonte: Revista Cultivar.
