Cereal de origem entre África e Ásia, o sorgo tolera seca, calor intenso e solos menos férteis. Das 790 mil toneladas exportadas pelo Brasil entre janeiro e setembro de 2026, a China foi destino de 755,6 mil, e a produção nacional deve chegar a 8,03 milhões de toneladas em 2026/27.
Você já ouviu falar em sorgo? É um cereal com origem entre a África e a Ásia, da família do milho, que resiste melhor à seca e ao calor intenso e se desenvolve até em solos menos férteis. No Brasil, é usado na produção de ração e como matéria-prima do etanol.
Agora, o grão ganhou um comprador de peso. As exportações para a China foram autorizadas em 2024, mas só começaram de fato em agosto deste ano. Das 790 mil toneladas enviadas ao exterior entre janeiro e setembro de 2026, a China recebeu 755,6 mil.
Em Uberaba (MG), no Triângulo Mineiro, o produtor Pedro Ottoni colhe cerca de 1,9 mil hectares de sorgo na segunda safra. Segundo ele, a cultura é mais rústica e tolera o estresse hídrico e térmico, mesmo com as ondas de calor. A expectativa é fechar a safra 2025/26 com média de 6 toneladas por hectare, alta de 42,8% sobre as 4,2 toneladas da temporada anterior, marcada por secas mais severas que o normal. Em áreas irrigadas, ele superou 9 toneladas por hectare.
A média nacional é menor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 3,39 toneladas por hectare em 2025/26 e projeta 3,62 em 2026/27, alta de 6,7%. A área plantada deve crescer cerca de 2%, para 2,21 milhões de hectares, após o aumento de 32,9% em 2025/26. A produção deve alcançar 8,03 milhões de toneladas, alta de 9%. O Brasil é o segundo maior produtor mundial, atrás dos Estados Unidos.
Ottoni, que também é diretor da Aliança Internacional do Milho (Maizall), lembra que o sorgo, apesar de mais resistente que o milho, exige adubação e manejo de plantas daninhas e insetos. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Paulo Bertolini, afirma que em algumas regiões, como São Paulo, o preço já chega perto do milho.
Para o pequeno produtor, o recado é que o sorgo pode ser uma alternativa em áreas de calor forte e pouca chuva, já que tolera seca e solos menos férteis, segundo a reportagem. Mas não é cultura de plantar sem cuidado: exige adubação e controle de plantas daninhas e insetos. Há ainda a chance de vender para quem pagar mais, no mercado interno ou externo, e em algumas regiões o preço já se aproxima do milho. Vale conversar com técnico ou cooperativa antes de decidir o plantio.
O sorgo deixa de ser aposta e passa a ser opção estratégica para quem produz em tempos de clima mais instável. Informação e bom manejo fazem a diferença. O AGRO 101 segue acompanhando esse mercado.
FONTE:
Globo Rural (Nayara Figueiredo)
