Lesões na gengiva, desgaste dos dentes e raízes expostas causam dor e dificultam a alimentação dos bovinos. Segundo o médico-veterinário Iveraldo Dutra, cerca de vinte por cento dos animais avaliados apresentam lesões graves na boca, o que pode comprometer o desempenho do rebanho de corte e de leite.
Quando o boi sente dor na boca, o prejuízo vai além do desconforto. Lesões na gengiva, retração gengival, raízes expostas e desgaste excessivo dos dentes dificultam a alimentação e podem derrubar o desempenho do rebanho. O alerta é do médico-veterinário Iveraldo Dutra, especialista em saúde e bem-estar animal.
A informação vem de estudos sobre saúde bucal de bovinos, incluindo a análise de mais de mil animais em rebanhos de Goiás. Em entrevista ao Giro do Boi, Dutra afirmou que as alterações podem comprometer a eficiência alimentar e o desempenho tanto na pecuária de corte quanto na de leite.
Os sinais que pedem atenção são retração da gengiva, exposição da raiz, dentes soltos ou quebrados, desgaste irregular e inchaços ligados a infecções. As alterações podem evoluir para doenças periodontais, abscessos e inflamações. Segundo o especialista, a raiz exposta é um sinal importante, pois causa dor ao beber água e ao pastar, o que prejudica a mastigação e a ruminação.
Uma vaca pode realizar cerca de trinta mil bocados por dia, o que torna a saúde bucal essencial. Problemas nos dentes podem reduzir o consumo e, assim, a produção de leite, além de prejudicar o desenvolvimento e o ganho de peso no gado de corte.
Dutra recomenda que o pecuarista crie uma rotina de avaliação da dentição, conforme as categorias de animais e o sistema de produção. A proposta, segundo ele, não é ter um dentista bovino na fazenda, mas adotar métodos de observação que ajudem a identificar alterações e orientar a prevenção. O especialista cita uma metodologia desenvolvida ao longo de quinze anos, que usa o aplicativo Rumidente para registrar imagens. A avaliação da boca deve fazer parte de uma análise mais ampla, que inclui pastagens, suplementação e água.
Para o pequeno produtor, olhar a boca do boi é um cuidado simples que pode fazer diferença no lote. Animal com dor pode comer e beber menos, e isso aparece no ganho de peso e no leite. Observar sinais como dentes soltos ou quebrados, desgaste irregular e inchaços ajuda a detectar problemas que nem sempre são evidentes na rotina da fazenda. O boi não consegue avisar quando sente dor, e cabe ao produtor e à equipe perceber os sinais.
Cuidar da boca é cuidar do desempenho e do bem-estar do rebanho. Uma rotina simples de observação ajuda a prevenir perdas e a reduzir o sofrimento dos animais. O AGRO 101 segue trazendo informação prática para o pecuarista.
FONTE:
Canal Rural (Giovanni Porfírio), com informações do Giro do Boi
