Cadeia que movimenta R$ 120 bilhões por ano discutiu em São Paulo caminhos para reduzir perdas na logística e atender consumidor que busca mais saúde e praticidade – mas financiamento ainda é gargalo para pequenos e médios produtores.
O setor de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (conhecido pela sigla FFLVO) se reuniu em São Paulo, na Brazil Conference & Expo, promovida pela Associação Internacional de Produtos Frescos (IFPA), para discutir os novos caminhos de uma cadeia que movimenta cerca de R$ 120 bilhões em valor de produção no Brasil. O evento reuniu produtores, varejistas, fornecedores e especialistas para debater inovação, tecnologia, financiamento, sustentabilidade e mudanças no comportamento do consumidor.
Segundo Valeska Oliveira, diretora da IFPA no Brasil, o objetivo do encontro é aproximar todos os elos da cadeia e criar oportunidades de negócio entre quem produz e quem vende.
Brasil é o 3º maior produtor de frutas do mundo
O Brasil ocupa a posição de terceiro maior produtor de frutas do mundo, atrás apenas de China e Índia, com uma colheita de aproximadamente 44 milhões de toneladas por ano. No último ano, os embarques de frutas movimentaram cerca de US$ 1,5 bilhão, e no primeiro semestre de 2026 as exportações do setor cresceram cerca de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Tecnologia para reduzir perdas na cadeia
Um dos maiores desafios do setor é reduzir o desperdício e melhorar a eficiência logística — problema que afeta diretamente o bolso do produtor, já que frutas, legumes e verduras são altamente perecíveis. A aposta da cadeia é ampliar o uso de inteligência artificial, rastreabilidade e análise de dados para melhorar o planejamento da produção, o transporte e o abastecimento.
Segundo a IFPA, a tecnologia já faz parte da rotina de muitos polos produtivos, ajudando no monitoramento de clima, solo e qualidade dos alimentos, além de acompanhar a trajetória do produto até chegar ao consumidor final. A entidade também defende maior integração entre produtores e varejistas — a ideia é que os supermercados deixem de atuar apenas como compradores e passem a trabalhar mais próximos da produção, o que aumentaria a previsibilidade de vendas e reduziria a falta de produtos nas prateleiras.
O que o consumidor está buscando
A busca por saúde e praticidade está transformando o mercado. Produtos como frutas cortadas, vegetais higienizados, saladas prontas e porções individuais vêm ganhando espaço entre consumidores que querem se alimentar melhor, mas com mais praticidade no dia a dia.
O avanço das chamadas canetas emagrecedoras também é apontado pelo setor como um fator que está influenciando o comportamento alimentar dos brasileiros, reforçando uma tendência já em curso: a busca por dietas mais equilibradas, com maior presença de proteínas, fibras, frutas, legumes e verduras.
No mercado de ovos, essa tendência já aparece nos números: o consumo brasileiro deve alcançar cerca de 320 unidades por pessoa em 2026, mais que o dobro do registrado há duas décadas, segundo o Instituto Ovos Brasil. O crescimento médio do consumo de ovos tem sido de aproximadamente 10% ao ano nos últimos 17 anos, impulsionado pela valorização da proteína e pela popularização de dietas fitness e low carb (baixo teor de carboidratos).
Apesar disso, o consumo per capita de frutas, legumes e verduras no Brasil ainda é baixo: cerca de 150 gramas diárias, bem abaixo das 400 a 450 gramas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Financiamento ainda é um desafio para o produtor
A cadeia de frutas, flores, legumes, verduras e ovos é formada principalmente por pequenos e médios produtores. Segundo a IFPA, os custos de produção são elevados, e o acesso a recursos financeiros nem sempre é rápido ou simples, um dos temas que também foi debatido na conferência, com foco em novas alternativas de financiamento e capital de giro para apoiar quem produz.
A porta de entrada do supermercado
Para o varejo, o hortifrúti tem um papel estratégico: segundo dados apresentados pela IFPA, 58% dos consumidores vão ao supermercado motivados pela compra de frutas, legumes e verduras, uma característica que diferencia essa categoria de outros produtos, mais fáceis de comprar por comércio eletrônico ou aplicativos de entrega. A avaliação do setor é que existe uma oportunidade real de crescimento ao combinar qualidade, conveniência, tecnologia e maior aproximação entre quem planta e quem vende.
FONTE: CNN Brasil (Luciana Franco), com dados da International Fresh Produce Association (IFPA) e do Instituto Ovos Brasil
