Segundo o Cepea, a valorização do grão é sustentada pela retração dos vendedores e pela paridade de exportação, enquanto o Maranhão encerrou a colheita da safrinha com rendimento abaixo do registrado na safra anterior.
O preço do milho subiu quase 6% na parcial de agosto de 2026, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mesmo com o Brasil caminhando para uma das maiores safras de sua história. O movimento chama atenção porque contraria a lógica mais simples do mercado: mais grão disponível deveria, em tese, pressionar os preços para baixo — mas não foi isso que aconteceu.
Por que o preço sobe com a safra recorde
A estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta produção total próxima de 143 milhões de toneladas na safra 2025/26, com a segunda safra respondendo pela maior parte desse volume. Segundo o Cepea, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas-SP) marcou R$ 66,35 por saca de 60 kg em 14 de agosto, e a média mensal da parcial de agosto chegou a R$ 66,5 por saca até o dia 26 — o segundo mês consecutivo de valorização.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a alta é sustentada principalmente pela posição retraída dos produtores, que limita o volume de negócios no mercado à vista. Também contribuem para o movimento os valores internacionais mais altos, que elevam a paridade de exportação, o atraso da colheita em algumas regiões do país e as preocupações com o clima no fim do ano, diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño.
Uma safra recorde não significa oferta imediata
Uma produção total elevada não significa que todo o volume esteja disponível para venda no mesmo momento. Parte da safra ainda está sendo colhida, outra parcela está armazenada nas propriedades, comprometida em contratos antecipados, destinada a indústrias ou reservada para alimentação animal. Produtores com estrutura e caixa também podem optar por aguardar condições melhores de comercialização antes de vender.
Mercado futuro também aponta alta
Os contratos futuros de milho negociados na B3 reforçam essa expectativa: o vencimento de setembro de 2026 foi cotado a R$ 72,0 por saca — R$ 3,2 acima da referência física do Cepea em agosto (26) —, enquanto o contrato de novembro de 2026 chegou a ser negociado acima de R$ 78,0 por saca. Para março de 2027, a cotação superou R$ 83,0 por saca.
Maranhão fecha a colheita com produtividade menor
No Maranhão, a colheita do milho de segunda safra (safrinha) 2025/26 já foi concluída. Segundo dados da Conab, o estado encerrou os trabalhos de campo junto com Tocantins e Piauí registrando produtividades inferiores às da safra anterior — um cenário que se soma ao contexto nacional de valorização do grão, já que a menor produtividade tende a reduzir a disponibilidade local do cereal.
Em julho, quando a colheita da segunda safra avançava pelo país, o Maranhão já apresentava ritmo mais adiantado que a média nacional: enquanto o Brasil havia colhido 69,1% da área de milho safrinha, o Maranhão já tinha 67% da área colhida — próximo da média do país naquele momento, mas à frente de estados como Mato Grosso (22,6%) e Bahia (36%).
