Enquanto a bananeira ainda não produz nos primeiros meses após o plantio, culturas como melancia, mandioca, mamão e milho podem ocupar o espaço entre as fileiras e gerar retorno financeiro mais rápido.
Uma das dificuldades de quem planta bananeira é o tempo de espera até a primeira colheita: a produção só começa a partir de cerca de 20 meses após o plantio, dependendo da variedade. Nesse período inicial, a plantação ainda aproveita pouco a energia solar, a água e os nutrientes disponíveis na área — o que abre espaço para o cultivo consorciado, uma estratégia que ocupa as entrelinhas da bananeira com culturas de ciclo mais curto, gerando renda enquanto a fruteira se desenvolve.
O consórcio com melancia tem respaldo técnico
O plantio consorciado de bananeira com melancia não é apenas uma prática empírica: foi avaliado cientificamente em um experimento conduzido pela Embrapa em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros, no norte de Minas Gerais. O estudo testou três variedades de bananeira (Pacovan Ken, Caipira e Thap Maeo) consorciadas com melancia da variedade Crimson Sweet, além de feijão-pérola, quiabo e feijão-caupi, sob sistema de irrigação por microaspersão. A pesquisa não identificou efeito negativo das culturas intercalares sobre o desenvolvimento da bananeira no primeiro ciclo.
Vale destacar que esse experimento específico foi realizado em condições semiáridas de Minas Gerais, não no Maranhão. Ainda assim, a lógica agronômica — aproveitar o espaço ocioso entre as fileiras da bananeira nos primeiros meses com uma cultura de ciclo curto — é a mesma recomendada por especialistas para a região Nordeste como um todo.
Outras culturas que também funcionam como consórcio
Além da melancia, a literatura técnica e as recomendações da Embrapa apontam outras opções de culturas de ciclo curto para consorciar com bananeira ou outras fruteiras perenes:
Mandioca: pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), recomendam o cultivo da mandioca entre as fileiras de bananeiras do tipo Terra — inclusive da cultivar Maranhão, comum na região. Segundo o pesquisador Jaéveson Silva, da Embrapa, os sistemas consorciados bem planejados aumentam a eficiência do uso da terra e permitem obter pelo menos dois produtos comercializáveis na mesma área.
Mamão: por ter ciclo relativamente curto, o mamoeiro é frequentemente usado como cultura intercalar em plantios de fruteiras de ciclo mais longo, como acerola, café, abacate, graviola, manga, citros, coco e goiaba. Um cuidado importante, no entanto: especialistas da Embrapa recomendam evitar o consórcio do mamoeiro com melancia, abóbora, melão e pepino, já que essas cucurbitáceas hospedam pulgões transmissores do vírus da mancha anelar, que pode prejudicar o mamoeiro.
Milho e feijão-verde (feijão-caupi): também aparecem como opções viáveis de cultivo irrigado e consorciado junto a fruteiras como goiaba, maracujá e mamão, sendo indicados especialmente para a agricultura familiar no Nordeste, segundo especialistas ligados ao Frupex (Programa de Apoio à Produção e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais).
Maracujá e goiaba: podem compor sistemas de consórcio escalonado — por exemplo, um ano de mamão, seguido por dois anos de maracujá, até a fruteira permanente (como a goiaba) assumir a produção principal da área, com ciclo de até 20 anos.
Melancia também já é realidade no Maranhão
Embora o consórcio específico com bananeira não tenha sido documentado no estado, a melancia já vem ganhando espaço como cultura isolada em municípios maranhenses. Em Balsas, no Cerrado Sul-Maranhense, produtores acompanhados pelo Sebrae registraram aumento de 30% na produtividade da melancia após adotarem correção de solo, adubação equilibrada e irrigação adequada, chegando a colher frutos de até 18 kg. A iniciativa faz parte do programa “Produzindo e Empreendendo”, que já atende mais de 200 agricultores em oito municípios da região.
