Capital maranhense foi a única entre 27 cidades pesquisadas a registrar aumento no custo da cesta básica em julho, impulsionado pela alta de 5,29% na farinha de mandioca — produto que tem em Barreirinhas o principal polo produtor do estado.
Enquanto o custo da cesta básica caiu na maioria das capitais brasileiras em julho, São Luís seguiu na direção contrária. A capital maranhense foi a única entre as 27 cidades pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a registrar alta no período, com avanço de 0,30% no valor do conjunto de alimentos básicos.
Farinha de mandioca foi a principal responsável
Segundo o levantamento, a farinha de mandioca foi o produto que mais subiu de preço em São Luís em julho, com alta de 5,29% no mês — o principal fator por trás do aumento do custo da cesta básica na capital. Ao todo, 9 dos 12 produtos pesquisados na cesta local tiveram alta no período. A cesta básica de São Luís é composta por carne bovina de primeira, leite integral, feijão-carioca, arroz, farinha de mandioca, tomate, pão francês e café em pó, entre outros itens.
Com o avanço, o custo da cesta básica na capital maranhense passou de R$ 654,73, em junho, para R$ 656,69 em julho. Nas demais 26 capitais pesquisadas, o valor recuou no período, com destaque para as quedas registradas em Natal (-7,95%) e Maceió (-7,87%).
Barreirinhas lidera a produção de mandioca no estado
O comportamento da farinha de mandioca no bolso do consumidor de São Luís tem relação direta com a cadeia produtiva do estado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e com o Sistema CNA/Senar, o município de Barreirinhas é o maior produtor de mandioca do Maranhão, seguido por Humberto de Campos, Rosário e Icatu — municípios que também se destacam na cadeia da mandiocultura estadual.
Em Barreirinhas, a produção da raiz está fortemente ligada à fabricação artesanal da tradicional farinha maranhense, feita em casas de forno que hoje também se tornaram atrativo turístico na região dos Lençóis Maranhenses, além de servir como matéria-prima para indústrias da região — a exemplo do fornecimento de mandioca para a produção da cerveja Magnífica, da Ambev, segundo o Sistema CNA/Senar.
Ainda de acordo com o Sistema CNA/Senar, o Maranhão já foi o maior produtor de mandioca do país e hoje ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás de Pará, Paraná e Minas Gerais — muito em razão da baixa produtividade por hectare registrada no estado em comparação a outras regiões produtoras.
Impacto no bolso do trabalhador
Com o salário mínimo em R$ 1.621, o trabalhador de São Luís precisou de 89 horas e 8 minutos de trabalho para comprar a cesta básica em julho, ante 88 horas e 52 minutos em junho. Considerando o salário mínimo líquido, com o desconto de 7,5% do INSS, a cesta básica comprometeu 43,80% da renda do trabalhador no mês.
Acumulado do ano
Apesar da alta pontual em julho, a cesta básica de São Luís acumula queda de 1,18% em 12 meses. No entanto, no acumulado de 2026, o aumento já chega a 4,33%. Entre os produtos pesquisados, as maiores altas acumuladas no ano são do leite integral (+15,55%), do óleo de soja (+13,34%) e do feijão-carioca (+12,87%). A manteiga é o único item com queda acumulada em 2026, de 1,36%.
Como São Luís se compara a outras capitais
Mesmo com a alta de julho, São Luís seguiu entre as capitais com cesta básica mais barata do país. Em julho, São Paulo teve a cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas, custando R$ 915,01. Já Aracaju apresentou o menor valor entre as capitais do Norte e Nordeste, de R$ 594,07.
Contexto nacional: feijão e mandioca em movimentos opostos
O comportamento dos preços em São Luís reflete um cenário observado em nível nacional. Segundo levantamento do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea), a mandioca tem registrado valorização em razão da demanda crescente para as festas de fim de ano, combinada à oferta ainda abaixo das necessidades do setor nas regiões monitoradas. Produtores têm demonstrado pouco interesse em comercializar lavouras de primeiro ciclo, apostando em novas altas, o que restringe o volume de entregas no mercado.
Já o feijão-carioca, que quase dobrou de valor em 2026 após meses consecutivos de alta, começou a se estabilizar: o avanço da colheita da terceira safra tem elevado a oferta do grão, pressionando as cotações pelo terceiro mês seguido. Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento de acomodação encontrou resistência no fim de agosto, quando produtores voltaram a restringir as vendas diante das quedas acumuladas.
FONTES:
Metropoles / O Imparcial (dados de São Luís, com base em pesquisa Dieese/Conab) / CNN Brasil, Juliana Camargo (contexto nacional sobre feijão e mandioca) / Sistema CNA/Senar e IBGE (dados sobre a produção de mandioca no Maranhão)
