Com palhas, esterco, restos de cozinha e até folhas de babaçu, o pequeno produtor do Médio Mearim pode fazer o próprio adubo e diminuir a compra de fertilizante químico. Orientações da Embrapa mostram como montar a leira, controlar a umidade e saber quando o composto está pronto.
Antes de gastar com adubo, vale olhar para o que sobra na propriedade. Palha de milho, rama de mandioca, capim, folhas secas, esterco e restos de cozinha podem virar adubo de qualidade por meio da compostagem, uma técnica simples que exige pouco além de enxada, pá, carrinho de mão, mangueira e um vergalhão de ferro.
Segundo publicações da Embrapa, a receita é misturar cerca de dois terços de materiais ricos em carbono, como palhas, capins, folhas secas e galhos, com um terço de materiais ricos em nitrogênio, como esterco, folhas verdes e restos de cozinha. Na região, folhas e caules velhos de babaçu podem ser aproveitados, e a torta de babaçu aparece entre os materiais citados pela Embrapa. Picar tudo em pedaços pequenos acelera o processo.
A leira é montada em camadas de cerca de 20 cm, molhando cada uma, com a primeira e a última de palha. O local deve ficar perto de um ponto de água, e o monte não deve ser menor que 1 metro de altura, largura e comprimento. Na época de chuva, o formato triangular evita o encharcamento; na seca, o formato de trapézio facilita a entrada da água.
Para acompanhar, basta o teste da mão: ao apertar um punhado do meio da leira, a água deve aparecer entre os dedos, sem escorrer. Um vergalhão enfiado no centro mostra a temperatura. Se estiver frio, é hora de revirar; se estiver seco, é preciso molhar por igual.
Quem tem fruteiras pode usar a compostagem laminar, com camadas montadas ao redor da planta, afastadas de 20 a 30 cm do tronco. Nesse modelo, minhocas e insetos fazem o reviramento.
O composto fica pronto entre 9 e 16 semanas, com cor marrom escura e cheiro de bolor. A Embrapa orienta não usar o material ainda cru direto nas plantas.
A principal vantagem para o bolso é trocar compra por aproveitamento. Segundo a Embrapa, o composto melhora o solo, ajuda a terra arenosa a segurar água e nutrientes, aumenta a eficiência dos adubos minerais e permite reduzir o uso de fertilizantes químicos. Para o pequeno produtor do Médio Mearim, isso significa gastar menos com insumos usando o que já existe na propriedade, como palha, rama de mandioca, esterco e restos de babaçu. O que antes era resto de roça passa a ter valor dentro da própria produção.
Com materiais da própria roça e alguns cuidados simples, a compostagem vira aliada da economia. Monte a leira, acompanhe a umidade e use o adubo pronto na próxima safra.
FONTE:
Embrapa Tabuleiros Costeiros (Circular Técnica 59); Embrapa Mandioca e Fruticultura (Circular Técnica 76); Embrapa Agrobiologia (Comunicado Técnico 50); manual “Babaçu: melhores práticas para o manejo sustentável”
