Com cerca de 849 mil caprinos, a Paraíba tem o quinto maior rebanho do país, segundo o IBGE. Mesmo assim, o Cariri paraibano virou polo de leite de cabra graças a associações, cooperativas, compras públicas e melhoramento genético. O governo estadual estima produção entre 40 mil e 55 mil litros por dia.
A Paraíba tem bem menos cabras que outros estados do Nordeste, mas se destaca na produção de leite. Pelos dados da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE de 2024, o estado tinha cerca de 849 mil caprinos, atrás da Bahia (4,2 milhões), de Pernambuco (3,4 milhões), do Piauí (pouco mais de 2 milhões) e do Ceará (1,14 milhão). As informações foram publicadas pelo MilkPoint, com base no portal Paraíba Business.
A virada começou no início dos anos 2000, no Cariri, com o Pacto Novo Cariri. Segundo Madalena Arruda, do Sebrae-PB em Monteiro, a atividade era informal e de subsistência. A estratégia foi organizar os criadores em associações e cooperativas, incluir o leite em programas públicos de compra e instalar usinas de beneficiamento. Depois vieram tanques de resfriamento, manejo sanitário, palma forrageira adensada, silagem e a troca de animais sem raça definida por raças leiteiras como Saanen e Toggenburg.
O resultado aparece nos números. Um estudo com dados do IBGE de 2007 estimava cerca de 16,4 mil litros por dia. Hoje, segundo o governo estadual, a produção fica entre 40 mil e 55 mil litros diários, e o Cariri responde por mais de 80% da captação do estado.
As compras públicas foram decisivas. Pelo PAA Leite, do governo federal em parceria com o estado, cerca de 1.200 produtores fornecem mais de 30 mil litros por dia, com limite equivalente a R$ 30 mil por produtor ao ano.
O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Júnior Nóbrega, informou que duas plantas, uma no Cariri e outra no Curimataú, avançam na produção de leite de cabra em pó, o que deve ajudar a formar estoque e abrir novos mercados.
Para quem cria cabras e ovelhas no Maranhão e no Médio Mearim, o exemplo paraibano mostra que o tamanho do rebanho não é tudo. Organização em associações e cooperativas, genética leiteira, reserva de alimento para o período seco e acesso a compras públicas, como o PAA Leite, ajudaram a transformar uma atividade de subsistência em fonte de renda. Segundo Madalena Arruda, o rendimento por cabra selecionada passou de menos de meio litro para 2 a 4 litros por dia. Produzir melhor, e não apenas mais, pode fazer diferença no bolso.
A experiência do Cariri mostra que organização e tecnologia podem valer mais que o número de animais. O próximo passo por lá é o leite de cabra em pó, que pode abrir novos mercados.
FONTE:
MilkPoint, com informações do Paraíba Business
