Durante o Global Agribusiness Festival, realizado em São Paulo nos dias 1º e 2 de outubro, o diretor-técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Bruno Lucchi, afirmou que equilibrar as finanças do governo é importante para retomar investimentos. Ele citou juros altos, menos recursos no Plano Safra e barreiras comerciais como entraves.
Colocar as contas do governo em ordem é um passo importante para que o agronegócio brasileiro volte a atrair investimentos. A avaliação é de Bruno Lucchi, diretor-técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participou do GAFFFF (Global Agribusiness Festival), evento realizado em São Paulo na quinta-feira (1º) e na sexta-feira (2).
Segundo Lucchi, a situação fiscal do país também chega ao campo. Para ele, uma mudança de postura do governo na condução dos gastos públicos poderia melhorar as expectativas do mercado e deixar o ambiente de negócios mais favorável. O diretor destacou que o ajuste vale para a retomada de investimentos e de obras de infraestrutura em qualquer setor da economia.
Outro ponto levantado foi o custo do dinheiro. De acordo com o representante da CNA, os juros elevados atrapalham a atividade agropecuária, e o momento econômico exige políticas públicas, principalmente diante da redução dos recursos do Plano Safra. Lucchi também apontou as barreiras tarifárias e as exigências fitossanitárias, que são regras ligadas à saúde das plantas, como fatores que dificultam a recuperação do setor e seguram o ritmo de crescimento.
Mesmo com esse cenário, a entidade projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio continue crescendo, sem grandes avanços nem recuos. A previsão leva em conta os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção.
Lucchi comentou ainda a Medida Provisória que trata da renegociação das dívidas rurais. Na visão dele, a proposta ainda precisa ser discutida e avaliada pelos produtores para, de fato, ajudar na reorganização financeira do setor. O diretor também defendeu o fortalecimento do seguro rural, que considera essencial para reduzir os riscos da atividade e dar mais tranquilidade a quem produz diante de dificuldades econômicas e climáticas.
Para o produtor do Maranhão e do Médio Mearim, o recado mexe diretamente com o bolso. Juros altos deixam mais caro o financiamento do custeio, das máquinas, dos insumos e dos animais, e menos dinheiro no Plano Safra pode tornar o crédito mais difícil de conseguir. Quem tem dívida no banco precisa acompanhar de perto a discussão da Medida Provisória da renegociação, já que o tema ainda está em debate. O seguro rural aparece como ferramenta para proteger a roça e a criação contra perdas, preocupação que ganha peso com o El Niño no radar.
O momento pede planejamento financeiro e atenção. Crédito, renegociação de dívidas e seguro rural seguem como temas centrais para o produtor atravessar um período de juros altos e incerteza no clima.
FONTE:
CNN Brasil (reportagem de Kaique Cangirana)
