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Casca de coco vira biochar e volta ao campo para melhorar o solo no RN

No Vale do Açu, a empresa Charma, apoiada pelo Sebrae RN, transforma cascas descartadas pela indústria de água de coco em biochar, um bioinsumo que pode ajudar o solo a reter água e nutrientes. A produção ainda é de cerca de 10 toneladas por ano, mas já atrai produtores.

As cascas de coco que eram um problema para a indústria de água de coco estão ganhando novo destino no Rio Grande do Norte. Na região do Vale do Açu, uma pequena empresa apoiada pelo Sebrae RN transforma esse resíduo em biochar. O biochar é um bioinsumo que melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo.

A transformação é feita por um processo chamado pirólise. As cascas são trituradas e misturadas. Depois, vão para um reator, onde são aquecidas a altas temperaturas com pouco ou nenhum oxigênio. Parte dos gases que saem do processo volta a alimentar a própria máquina, e a parte sólida que sobra é o biochar.

Xavier Mulliez, fundador e diretor da Charma, chama o modelo de simbiose agroindustrial. A sobra da indústria de água de coco vira matéria-prima da usina, e o biochar produzido volta para os coqueirais. Assim, uma atividade passa a depender da outra.

Hoje, a unidade do Vale do Açu produz cerca de 10 toneladas por ano. Há interesse em Mossoró, no Vale do Açu e em Touros, principalmente de quem planta coco, algodão e manga. A empresa já soma 13 parcerias e conversa com a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a Universidade Federal Rural do Semi-Árido para ampliar os testes.

No semiárido, onde falta água e o solo é fraco, o biochar pode ajudar a terra a segurar mais água e nutrientes. Ele também melhora a estrutura do solo e favorece a vida que existe nele.

A Charma tem cerca de três anos. A empresa passou pelos programas Impacta RN e Regenera, do Sebrae RN, voltados a negócios de impacto socioambiental. Segundo Mulliez, existem cerca de 400 fábricas de água de coco no Brasil que poderiam adotar o mesmo modelo. O próximo passo é chegar ao Ceará, maior produtor nacional de água de coco.

Para o produtor do Médio Mearim, a experiência potiguar traz uma lição prática: o que sobra de uma atividade pode virar insumo de outra. O biochar ainda é produzido em pequena escala e está em fase de testes no campo. Por isso, não é algo para sair comprando agora. Mas a ideia de devolver ao solo os resíduos da propriedade, melhorando a capacidade da terra de segurar água no período seco, vale atenção. Antes de usar qualquer insumo novo, procure orientação técnica, como do Sebrae ou de instituições de pesquisa.

O exemplo do Rio Grande do Norte mostra que resíduo também pode virar renda e solo mais forte. Os testes com o biochar seguem em ampliação no campo.

FONTE:
Agência Sebrae de Notícias (ASN)

Redação

Agro101

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