Durante o Global Agribusiness Festival, em São Paulo, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, afirmou que juros elevados, queda nos preços das commodities e margens menores devem manter a inadimplência dos produtores pressionada. Ele defende que a reorganização das dívidas comece o quanto antes.
A inadimplência no agronegócio brasileiro, ou seja, o atraso no pagamento de dívidas, deve continuar pressionada nos próximos meses. A avaliação é da Serasa Experian, que aponta como fatores os juros altos, a queda nos preços das commodities e as margens de lucro cada vez mais apertadas no campo.
Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da empresa, a piora dos indicadores se concentra principalmente entre produtores que aproveitaram um ciclo anterior de expansão e agora enfrentam uma economia mais restritiva. Ele participou do GAFFFF (Global Agribusiness Festival), realizado em São Paulo na quinta-feira (1º) e na sexta-feira (2).
No evento, Pimenta afirmou que a recuperação judicial, instrumento usado para reorganizar dívidas por meio da Justiça, também avançou em diferentes regiões do país. Ele ponderou, porém, que o perfil do endividamento muda de acordo com as características de cada mercado.
Para o executivo, a virada desse quadro ainda deve levar tempo. Além dos juros, as instituições financeiras estão mais exigentes para liberar crédito, o que dificulta o acesso ao dinheiro e torna mais complicadas as negociações entre produtores e credores. Pimenta disse não enxergar um movimento claro de queda dos juros e afirmou que os bancos “estão mais seletivos”.
Ele defende que a reestruturação das dívidas aconteça o quanto antes, para evitar que o problema se agrave e aumentar as chances de recuperação. O executivo ressaltou que não existe solução imediata: a renegociação das dívidas rurais pode ser um primeiro passo, mas precisa vir acompanhada de medidas preventivas e de ferramentas que ajudem o produtor a administrar os riscos financeiros.
Para o produtor do Maranhão e do Médio Mearim que tem financiamento no banco, o alerta é direto: com crédito mais difícil e juros altos, deixar a dívida se acumular pode fechar portas na próxima safra. A orientação do especialista é não esperar o problema crescer e buscar a reorganização cedo, conversando com o banco ou a cooperativa. Também vale manter as contas da propriedade em dia, saber quanto custa produzir e adotar ferramentas de controle de risco, para não depender só de um bom preço na hora da venda.
Com juros altos e bancos mais exigentes, o melhor caminho é agir cedo. Organizar as finanças e renegociar antes que a dívida cresça aumenta as chances de manter a produção de pé.
FONTE:
CNN Brasil (reportagem de Kaique Cangirana)
