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Ciência produz primeiros embriões in vitro do jumento nordestino, ameaçado de extinção

Pesquisadores da UFV, da Ufape e da UFRPE produziram em laboratório os primeiros embriões do jumento nordestino, a partir de 50 óvulos coletados numa fazenda experimental na Bahia. O avanço abre caminho para guardar o material genético do animal, adaptado ao Semiárido, e para multiplicar bons reprodutores.

O jumento nordestino, companheiro de gerações de famílias do sertão, ganhou um aliado na ciência. Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, produziram em laboratório embriões do animal. Segundo a equipe, são os primeiros embriões desse ecótipo, exclusivo do Semiárido brasileiro, feitos in vitro no mundo.

O trabalho reúne a UFV, a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), em Garanhuns, e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Foram usados 50 oócitos, que são os óvulos das jumentas, coletados na Jegue Land, fazenda experimental na Bahia, e levados ao laboratório de reprodução da UFV.

A técnica empregada se chama ICSI. Nela, um único espermatozoide é colocado diretamente dentro do óvulo com o auxílio de equipamentos de alta precisão. Segundo os pesquisadores, o resultado é um avanço porque as técnicas de reprodução para jumentos ainda são bem menos desenvolvidas do que as usadas em cavalos.

A pesquisa faz parte do mestrado de Frederico Freitas, orientado pela professora Yamê Fabres, do Departamento de Zootecnia da UFV. Para a professora, o primeiro teste foi promissor e inaugura uma nova linha de estudos na universidade.

De acordo com os pesquisadores, os embriões abrem caminho para preservar o material genético do jumento nordestino e multiplicar animais com boas características. Segundo as fontes, o animal está em risco por causa da exploração da pele, usada para produzir o ejiao, colágeno vendido na China.

Além da reprodução, o projeto estuda alimentação com forragens do Semiárido, produção de leite, sanidade, bem-estar e custos da criação. A proposta de criar uma cadeia comercial para o jumento, porém, é contestada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.

O Nordeste é a casa do jumento brasileiro. Em 2023, a Ufape estimava que cerca de 90% do rebanho do país estava na região. Para o Maranhão e o Médio Mearim, onde o animal ainda faz parte da vida no campo, a pesquisa mostra que o jumento pode ganhar valor como fonte de leite e como patrimônio genético adaptado ao calor e à seca. Mas é importante deixar claro que a tecnologia ainda está em fase de testes e não chegou aos criadores. Por enquanto, o melhor que o produtor pode fazer é cuidar bem dos seus animais e acompanhar as novidades da pesquisa.

O jumento que carregou água e carga pelo sertão agora é tratado como patrimônio genético. Os próximos passos da pesquisa vão mostrar se os embriões podem virar novos animais no campo.

FONTE:
Universidade Federal de Viçosa (UFV), via Boca, O Tempo e Movimento Econômico; Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape)

Redação

Agro101

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