O Boletim Logístico da Conab mostra que o frete de grãos caiu em várias rotas em agosto, mas continua mais caro que no mesmo período do ano passado. No Maranhão, após o pico de escoamento da soja no primeiro semestre, a movimentação de cargas e os preços do transporte diminuíram.
O preço do frete para levar a safra até os portos deu uma aliviada em agosto, mas não em todo o país. Segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o comportamento variou de região para região. No conjunto, porém, as tarifas seguem mais altas do que no mesmo período de 2025.
O pano de fundo é a exportação. De janeiro a agosto, o Brasil embarcou 92,7 milhões de toneladas de soja, alta de 7% sobre os oito primeiros meses de 2025, puxada pela procura no exterior. No milho, foram 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% no mesmo período.
No Nordeste, os números foram diferentes em cada estado. Na Bahia, o frete subiu em quase todas as rotas, com alta de até 4,8%, e a expectativa de mais embarques de algodão pode pressionar o transporte nos próximos meses. No Piauí, as cotações variaram entre queda de 9,10% e alta de 5,6%. No Maranhão, como a maior parte da soja já tinha sido escoada no primeiro semestre, tanto a movimentação de cargas quanto os fretes caíram.
Em outras regiões, as maiores altas foram em Minas Gerais, com até 36,2%, puxadas pela colheita do café, e em Goiás, com até 22,9%, por causa do transporte de sorgo para fábricas de ração.
Os portos do Arco Norte seguem como caminho principal da safra. Eles responderam por 48,98% das exportações de milho e 38,85% das de soja de janeiro a agosto. A Conab também registrou que as importações de fertilizantes somaram 25,38 milhões de toneladas até agosto, cerca de 13,7% a menos que em 2025.
Para o produtor do Maranhão e do Médio Mearim, o frete mais barato em agosto mostra como o preço do transporte acompanha o calendário da safra. Quando a soja está saindo, o caminhão fica caro e disputado. Passado o pico, sobra espaço para negociar. Quem precisa transportar milho, arroz ou outros produtos pode aproveitar os períodos de menor movimento para pedir mais de um orçamento e combinar o frete com antecedência. Planejar a venda pensando no custo do transporte ajuda a não perder dinheiro na estrada.
O frete pesa no bolso de quem produz e muda conforme a safra. Acompanhar os boletins mensais da Conab ajuda a escolher a melhor hora para transportar e vender.
FONTE:
Revista Cultivar, com dados do Boletim Logístico da Conab
