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Chuvas atrasam colheita da cana e elevam preços do etanol e do açúcar em setembro

Com a moagem travada pela umidade no Centro-Sul, o etanol hidratado chegou a R$ 2,6412 por litro nas usinas paulistas em setembro, e a saca do açúcar cristal chegou a R$ 120,62. Pesquisadores do Cepea avaliam que algumas usinas podem moer até fevereiro.

As chuvas frequentes nas lavouras de cana do Centro-Sul do país reduziram o ritmo da colheita em setembro e deixaram o etanol e o açúcar mais caros nas usinas. O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

No mercado paulista, o indicador semanal do etanol hidratado começou o mês em R$ 2,3991 por litro, na semana de 31 de agosto a 4 de setembro. Entre 14 e 18 de setembro, chegou a R$ 2,6412, alta de 7,27% em uma semana. De 21 a 25, recuou 2,24%, para R$ 2,5820. Segundo o Cepea, a queda teve relação com a necessidade de caixa de algumas usinas e com a abertura de espaço nos tanques.

O açúcar cristal seguiu o mesmo caminho. A saca de 50 quilos, cotada a R$ 113,75 em 31 de agosto, fechou o dia 25 de setembro em R$ 120,62. De acordo com o Cepea, a alta se deve à menor oferta do produto no mercado à vista.

Os números da produção ajudam a explicar o cenário. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, na primeira quinzena de setembro, a moagem de cana no Centro-Sul caiu 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 41,6%, para 2,12 milhões de toneladas, na comparação com o mesmo período de 2025.

Pesquisadores do Cepea avaliam que o atraso pode levar algumas usinas a moer até fevereiro, embora muitas planejem encerrar entre dezembro e janeiro. No Maranhão, a produção de cana foi de 2.583.724 toneladas em 2025, segundo o IBGE, com destaque para São Raimundo das Mangabeiras, com 1.338.612 toneladas.

Para o produtor maranhense, a alta no Centro-Sul funciona como termômetro do mercado. Nos municípios que mais colhem cana no estado, como São Raimundo das Mangabeiras, Campestre do Maranhão e Aldeias Altas, acompanhar os indicadores do Cepea ajuda na hora de negociar a produção. Já para a família da roça, que compra açúcar e abastece a moto, a alta pode pesar no bolso, porque o Cepea projeta oferta curta de açúcar nos próximos meses. Na bomba, vale fazer as contas antes de escolher entre etanol e gasolina.

O rumo dos preços depende do tempo. Com previsão de chuva acima da média em áreas produtoras na primeira quinzena de outubro, a colheita deve seguir lenta, e os próximos levantamentos vão mostrar se a alta continua.

FONTE:
Cepea/Esalq-USP; Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa); IBGE – Produção Agrícola Municipal 2025. Tema original: Globo Rural

Redação

Agro101

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