Com a água quente, o peixe precisa de mais oxigênio, come menos e fica mais exposto a doenças. Orientações da Embrapa e de especialistas mostram como medir a água, ajustar a ração, usar aeração de madrugada e evitar o choque térmico na soltura dos alevinos.
O peixe não controla a própria temperatura: o corpo dele fica tão quente quanto a água. Segundo a cartilha Qualidade da água na piscicultura continental, da Embrapa Amazônia Oriental, os peixes tropicais têm conforto entre 25 °C e 32 °C, mas a superfície do viveiro pode passar dos 35 °C. E a conta pesa no oxigênio: um peixe a 30 °C precisa do dobro de oxigênio de um peixe a 20 °C.
O zootecnista Cleber Daniel Almeida, da MCassab Nutrição e Saúde Animal, explicou ao Agrolink que a água acima da faixa ideal causa estresse, derruba o consumo de ração e favorece doenças.
Veja os cuidados:
- Meça a água. A Embrapa recomenda pelo menos duas leituras de oxigênio por dia, às 7h e às 18h. O ideal fica entre 4,0 e 15,0 mg/L. Entre 1,5 e 4,0 mg/L o peixe já sofre e cresce menos.
- Vigie a madrugada. O oxigênio sobe durante o dia e cai até o amanhecer. Se precisar de aerador, é nesse horário que ele faz mais falta.
- Trate nas horas frescas. Divida a ração em mais vezes e ofereça nos horários mais frescos do dia.
- Saiba a hora de parar. Com oxigênio baixo, a orientação da Embrapa é não alimentar, conferir a densidade de peixes e renovar a água.
- Evite o choque térmico. Diferenças de 3 °C a 4 °C bastam para estressar ou matar peixes, e o pior é sair da água fria para a quente. Um estudo da Embrapa Tabuleiros Costeiros com alevinos de tambaqui apontou 30 minutos de aclimatação como o tempo mais indicado para reduzir o estresse depois do transporte.
- Leia os sinais. Peixe parado na superfície ou perto da entrada de água indica falta de oxigênio. Peixe que não come e mortalidade após mudança de temperatura são sinais de choque térmico.
Para o piscicultor, alevino estressado é dinheiro perdido: ele come menos, cresce devagar e adoece mais, e a perda aparece lá na frente, na despesca. Os cuidados não exigem grande investimento. Um termômetro, um medidor de oxigênio, atenção na madrugada e paciência na hora de soltar os peixes já fazem diferença. Também ajuda manter a quantidade de peixes adequada ao tamanho do viveiro. Em regiões quentes como o Médio Mearim, vale redobrar a vigilância nos dias de sol forte e programar a chegada dos alevinos para os horários mais frescos.
No calor, o segredo é acompanhar a água de perto e agir antes do problema aparecer. Na dúvida, procure a assistência técnica para ajustar o manejo à sua criação.
Fontes: Embrapa Amazônia Oriental; Agrolink; Embrapa Tabuleiros Costeiros
