Quase um ano depois de mostrar que aproveita 100% do coco babaçu, a Apoena, de Coroatá (MA), recebeu visita técnica do Sebrae e conquistou o selo de Negócio de Impacto. Em 2026, a Embrapa também treinou quebradeiras para produzir bebida vegetal e análogo de queijo, e o preço mínimo da amêndoa foi fixado em R$ 7,00 o quilo.
Durante muito tempo, só a amêndoa do coco babaçu tinha valor comercial, cerca de 6% do fruto. Em novembro de 2025, a startup Apoena Bioindustrial, instalada no povoado Centro do Chico, em Coroatá, mostrou que conseguia aproveitar 100% do coco comprado das comunidades.
O modelo continua o mesmo. A empresa compra o coco inteiro, sem que a quebradeira precise quebrá-lo à mão, e usa máquinas para separar as partes. Além do óleo e da amêndoa, as outras camadas do fruto viram adubo, carvão ativado, fontes alternativas de energia, farinha e cosméticos. Segundo dados de 2025, a fábrica já tinha recebido mais de 268 toneladas de coco desde 2019, com dez empregos diretos e 32 famílias fornecedoras.
Em janeiro de 2026, o Sebrae Maranhão fez uma visita técnica à unidade, com o diretor superintendente Albertino Leal e representantes de instituições parceiras e da prefeitura de Coroatá. Segundo a divulgação, estima-se que mais de 87 hectares de babaçuais já foram preservados pelo negócio, que recebeu do Sebrae o selo de Negócio de Impacto. A Apoena também expôs seus produtos na COP30, em Belém.
A cadeia ganhou novidades também fora da fábrica. Nos dias 2 e 3 de setembro de 2026, a Embrapa treinou, em Fortaleza, seis representantes de associações de quebradeiras do Maranhão. Elas aprenderam a fazer bebida vegetal e análogo de queijo com a amêndoa. A bebida rende até 4,10 litros por quilo de amêndoa, e o projeto é financiado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Para quem vende a amêndoa, o preço mínimo de 2026 da Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) é de R$ 7,00 por quilo. Quando vende abaixo desse valor, a extrativista pode receber da Conab um bônus para cobrir a diferença.
Para as quebradeiras e famílias do Médio Mearim, as novidades mostram que o coco pode render mais do que a amêndoa. Vender o fruto inteiro para a indústria, transformar a amêndoa em novos alimentos e usar o preço mínimo como referência são caminhos para aumentar a renda. Segundo a Embrapa Maranhão, as tecnologias de alimentos com babaçu não são patenteadas e podem ser repassadas a grupos interessados. Vale procurar a associação da comunidade e a Conab para saber como acessar a subvenção quando o preço da amêndoa cair.
O babaçu segue mostrando que floresta em pé também gera renda. Indústria, pesquisa e preço mínimo apontam para o mesmo caminho: mais valor para quem vive da coleta do coco.
FONTE:
Movimento Econômico (matéria-base de 2025 e atualização de 2026), O Maranhense/Sebrae-MA, Embrapa Maranhão, Mapa/Conab
