O Brasil colheu 71,3 mil toneladas de mel em 2025, novo recorde, segundo o IBGE. O Nordeste respondeu por cerca de 37,1% do total, Santa Luzia do Paruá (MA) liderou entre os municípios e a criação de abelhas nativas sem ferrão ganha espaço como fonte de renda e de mel mais valorizado.
O mel brasileiro nunca foi tão produzido. Em 2025, o país colheu 71,3 mil toneladas, alta de 4,5% sobre o ano anterior, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE em 30 de setembro. É o oitavo recorde anual consecutivo. O valor da produção cresceu 18,5% e passou de R$ 1,2 bilhão pela primeira vez.
De acordo com o instituto, o avanço veio de dois fatores. O clima ajudou e garantiu florada para as abelhas, e a procura por alimentos naturais aumentou. As exportações, por outro lado, caíram 9,1%, para 34,5 mil toneladas.
Depois de quatro anos, o Sul voltou a liderar entre as regiões. A diferença para o Nordeste, porém, foi mínima: as duas regiões ficaram praticamente empatadas, com cerca de 37,1% do mel nacional cada uma. O Piauí ficou em terceiro lugar entre os estados, com 8,6 mil toneladas. Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, foi o município que mais produziu mel em todo o país.
A região também tem o apoio da Rota do Mel, programa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que mantém sete polos nordestinos. Desde 2014, o programa investiu mais de R$ 15,7 milhões em 13 estados e atendeu mais de 3.300 produtores.
Outra atividade que cresce é a meliponicultura, que é a criação de abelhas nativas sem ferrão. No Maranhão, a espécie mais criada é a tiúba. O pesquisador Cristiano Menezes, da Embrapa Meio Ambiente, diz que ela está entre as mais produtivas, com média de quatro litros por ano ou mais. Segundo ele, o mel de algumas dessas abelhas, como a jataí, chega a valer até 10 vezes o das africanizadas. Em 2024, um mel de tiúba dos Lençóis Maranhenses ganhou o título de Melhor Mel do Brasil.
Para organizar o setor, o Ministério da Agricultura abriu em abril de 2026 um processo para criar regras nacionais de qualidade para o mel de abelha sem ferrão.
Para o produtor maranhense, os números mostram um mercado em expansão e com valor em alta. O Nordeste disputa a liderança com o Sul, e o município que mais produz mel no país fica no Maranhão. A tiúba, abelha nativa do estado, produz um mel de alto valor agregado. As abelhas sem ferrão também ajudam na polinização de cerca de 40 culturas, como café e açaí, segundo pesquisador da Embrapa. No Piauí, o IBGE aponta o cooperativismo como um dos motores do crescimento. Fazer uma capacitação, como o curso a distância do Senar, e se organizar em grupo são passos práticos para começar.
O mel nordestino tem espaço para crescer, e a abelha sem ferrão pode ser o diferencial do Maranhão. O próximo passo a acompanhar é a publicação das regras nacionais para esse tipo de mel.
FONTE:
IBGE – Pesquisa da Pecuária Municipal 2025; Agência Gov; Embrapa/Senar; Ministério da Agricultura e Pecuária; Movimento Econômico; O Imparcial
