Depois de chegar ao menor preço desde 2020 no fim de 2025, o arroz em casca voltou a subir em 2026, puxado por exportações recordes e por uma safra menor. Em setembro, o grão ficou 4,56% mais caro para o consumidor, e a Conab projeta nova queda na produção em 2026/27.
Quem acompanha o preço do arroz viu a gangorra virar. Em novembro de 2025, a saca de 50 kg do arroz em casca fechou a R$ 53,28 no Rio Grande do Sul, o menor valor desde abril de 2020, segundo o indicador Cepea/Irga-RS. No ano, a queda acumulada tinha sido de 46,27%.
Em 2026, o cenário mudou. Veja o que pesou:
- Safra menor. Em abril, a Conab estimou a produção de 2025/26 em 11,1 milhões de toneladas, 12,9% abaixo da safra anterior, com área 13,1% menor.
- Exportação forte. Segundo a Band, com base em dados da Secex, o Brasil fechou o primeiro semestre de 2026 com o maior volume de arroz exportado da série histórica. Pesquisadores do Cepea apontaram que essa saída reduziu o grão disponível no mercado interno.
- Produtor segurando o produto. Com a alta, muitos arrozeiros passaram a vender com cautela, esperando preços melhores.
O resultado apareceu no preço. Em setembro, a média do indicador ficou em R$ 80,79 por saca, alta de 8,80% sobre agosto. No início de outubro, chegou a R$ 82,85, com mercado mais estável e indústrias comprando menos.
No supermercado, o efeito também chegou. O arroz subiu 4,56% em setembro no IPCA, a inflação oficial, conforme publicado pela CNN Brasil.
E o futuro? A Conab, em parceria com o Banco do Brasil, projeta para 2026/27 uma área de 1,53 milhão de hectares, alta de 0,9%, mas produção de 10,76 milhões de toneladas, 2,9% menor. No Rio Grande do Sul, o Irga prevê 861.778 hectares, 3,4% a menos, e o excesso de chuva atrasou o plantio no começo de outubro.
Para quem planta arroz, a recuperação dos preços é um alívio depois dos preços baixos de 2025, mas a Conab lembra que a melhora ainda não recompõe totalmente as margens. Por isso, vale fazer as contas antes de ampliar a área e acompanhar o indicador do Cepea para escolher a hora de vender. Para o pequeno produtor do Médio Mearim, que também compra arroz para a família, a dica é ficar de olho nos preços do mercado local e comparar antes de comprar.
Safra menor e exportação forte explicam a virada no preço do arroz. Com o plantio atrasado no Sul, os próximos levantamentos da Conab vão mostrar se essa tendência se mantém.
Fontes: Agrolink/Cepea; Notícias Agrícolas/Conab; Band; Boca Notícias/Cepea; CNN Brasil; Revista Cultivar/Conab
