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Seca cobre, fogo não: entenda o que o Proagro e o seguro rural protegem

Com outubro seco e previsão de 39 °C em Pedreiras, os produtores do Médio Mearim que vão financiar a safra precisam conhecer as regras. O Proagro cobre seca em lavoura de sequeiro já nascida, mas não paga incêndio, plantio fora do Zarc nem semente que não germinou.

Outubro está seco e quente no Médio Mearim. Em Pedreiras, a média do mês é de 20 mm, mas até o dia 8 não tinha caído chuva, segundo a Climatempo, com dados do CPTEC. A previsão de 15 dias também não mostra chuva. O INMET prevê chuvas abaixo da média no Nordeste e alerta para risco de replantio quando o tempo seca logo depois do plantio. É nesse cenário que o produtor começa a planejar a safra e o financiamento.

O Proagro é um programa do governo federal, administrado pelo Banco Central e operado por bancos e cooperativas. Ele garante o pagamento do crédito de custeio quando a lavoura é prejudicada. Agricultores do Pronaf usam o Proagro Mais, que também pode proteger parcelas de investimento e funciona como uma garantia de renda mínima.

O programa paga perdas por seca em lavoura de sequeiro (sem irrigação), chuva excessiva, granizo, ventos fortes, variação excessiva de temperatura e pragas ou doenças sem controle conhecido. A proteção, porém, só começa depois que a planta nasce. Se a semente não germinar por falta de chuva, o replantio não é coberto.

Também ficam de fora incêndio na lavoura, plantio fora do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), erosão, adubação errada e falhas de manejo. No Proagro Mais, não há indenização se a lavoura render 70% ou mais da receita esperada.

Desde 1º de julho de 2026, com a Resolução 5.315 do Conselho Monetário Nacional, as vistorias exigem fotos georreferenciadas. Em perdas graves, o que foi colhido passa a ser descontado da indenização. Já o seguro rural é contratado com seguradoras privadas e pode ter coberturas mais amplas, como incêndio ou garantia de faturamento.

Na prática, quem vai financiar roça no Médio Mearim deve consultar o Zarc antes de plantar e esperar a chuva firmar, porque semente perdida na seca não é indenizada. Com o ar seco, os aceiros merecem atenção redobrada, já que fogo na lavoura fica fora do Proagro. Guardar as notas fiscais dos insumos, informar a localização exata da roça e avisar o banco assim que notar a perda são passos que evitam ter o pedido negado.

Proagro e seguro rural protegem o crédito e a renda, mas têm regras. Plantar na época certa, guardar comprovantes e avisar a perda logo são a melhor garantia de receber.

FONTE:
Banco Central do Brasil / Conselho Monetário Nacional (Resolução CMN nº 5.315/2026); Ministério da Agricultura e Pecuária; Aegro; Sicredi; Climatempo (dados CPTEC); INMET

Redação

Agro101

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