Os suínos bebem mais água do que comem ração todos os dias, e falhas na qualidade dessa água podem reduzir o consumo e atrasar o crescimento. Especialistas da JBS/Seara e da Agroceres PIC orientam analisar a água, limpar tubulações e proteger a fonte de abastecimento.
Na granja de suínos, a atenção costuma ir para a ração, mas a água merece o mesmo cuidado. Os animais bebem mais água do que comem ração a cada dia, e qualquer problema no que chega ao bebedouro pode pesar no desempenho do lote.
Quem faz o alerta é Vanessa Frigo, zootecnista e extensionista da JBS/Seara. “Muitas vezes a gente não dá tanta importância para a água”, reconhece. Segundo ela, quando a qualidade cai, o suíno passa a beber menos, come menos ração e, com isso, ganha menos peso.
A avaliação deve olhar parâmetros físicos, químicos e microbiológicos. Nas propriedades acompanhadas pela empresa, as coletas são feitas uma vez por ano. Para a fase de terminação, a referência citada é pH entre 6 e 6,5 e cloro de 1 a 3 ppm (partes por milhão), valores que devem ser ajustados às condições de cada sistema. Os exames também procuram coliformes e a bactéria E. coli, sinais de contaminação. Diarreia, queda no consumo e desempenho abaixo do esperado são indícios de que algo está errado.
O problema nem sempre está na fonte. A água pode se contaminar no caminho, em caixas, canos e conexões. Rosiel Moreira, especialista da Agroceres PIC, explica que o biofilme, uma camada de microrganismos grudada por dentro dos canos, protege germes e diminui o efeito dos desinfetantes. Por isso, a limpeza das linhas deve entrar na rotina, principalmente entre um lote e outro. Ele também recomenda manter as caixas d’água fechadas, protegidas e limpas.
Na captação, a orientação é usar fontes protegidas, como poços artesianos, sem acesso de aves e outros animais. Se a análise apontar problema, o tratamento varia: filtração, desinfecção ou correção do pH. Depois, a água deve ser testada de novo no bebedouro.
Para o suinocultor, a lição é simples: não adianta caprichar na ração se a água que chega ao bebedouro está ruim. Analisar a água periodicamente, limpar canos e caixas d’água entre os lotes e proteger poços e nascentes do acesso de outros animais são cuidados que ajudam a evitar diarreia e perda de peso. Também vale observar no dia a dia a vazão, a temperatura da água e o estado dos bebedouros, porque o suíno que bebe pouco come pouco.
Água de qualidade é parte do manejo, assim como a ração. Primeiro analisar, depois descobrir a origem do problema e só então tratar: esse é o caminho indicado pelos especialistas.
Fonte: Interligados / Canal Rural
