A vacinação contra a brucelose é obrigatória para bezerras de 3 a 8 meses em todo o Maranhão, com comprovação exigida em maio e novembro junto à AGED. Já a tuberculose não tem vacina — seu controle depende de testes e do manejo sanitário do rebanho.
A brucelose e a tuberculose bovina são duas das principais doenças que afetam a pecuária brasileira, com impacto direto na produtividade do rebanho, no comércio de animais e até na saúde humana. No Maranhão, o controle das duas doenças é conduzido pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA), dentro do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A vacinação é só contra a brucelose
É importante que o produtor entenda uma diferença central: apenas a brucelose tem vacina obrigatória. A vacinação é aplicada exclusivamente em fêmeas bovinas e bubalinas, na faixa etária entre 3 e 8 meses de idade, e deve ser feita a cada semestre, sempre que houver bezerras nessa faixa etária na propriedade. Já a tuberculose não possui vacina eficaz para uso comercial — seu controle depende de testes diagnósticos (a tuberculina) e da eliminação dos animais que testarem positivo, além de boas práticas de manejo sanitário no rebanho.
Como funciona a vacinação contra brucelose
O criador pode optar entre dois tipos de vacina: a B19 ou a RB51. A vacina RB51 só pode ser aplicada em bovinos — nas búfalas, apenas a B19 é permitida. Após a vacinação, as bezerras devem ser marcadas obrigatoriamente do lado esquerdo da face:
- Quem usa a vacina B19 marca o animal com ferro candente ou nitrogênio líquido, usando o último algarismo do ano da vacinação (por exemplo, em 2026, a marcação seria o número “6”).
- Quem usa a RB51 marca apenas com a letra “V”.
A vacinação deve ser realizada por médico-veterinário cadastrado na AGED-MA. Em municípios onde o número de veterinários cadastrados for insuficiente para atender a demanda, a própria AGED pode executar a vacinação, mas apenas em propriedades com até 25 animais das espécies bovina e bubalina na faixa etária de 3 a 8 meses, mediante o pagamento de taxas (R$ 3,50 por animal vacinado, mais R$ 0,45 por quilômetro percorrido como taxa de deslocamento).
O calendário de comprovação junto à AGED
Depois de vacinar o rebanho, o produtor precisa comprovar a vacinação nos escritórios da AGED-MA onde sua propriedade está cadastrada. Segundo a normativa estadual, os meses de maio e novembro são os períodos oficiais estabelecidos para essa comprovação nas Unidades Veterinárias Locais da AGED. Os atestados de vacinação devem ser emitidos individualmente por espécie (bovina e/ou bubalina), em três vias — uma para o proprietário, uma para a AGED e uma para o médico-veterinário emitente.
Essa comprovação é indispensável: sem ela, o produtor pode enfrentar dificuldades para emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento obrigatório para transportar o rebanho, já que a documentação sanitária — incluindo certificados de vacinação e atestados negativos para determinadas doenças — é exigida conforme a espécie e a finalidade do transporte.
Por que a vacinação importa
A brucelose bovina é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida a humanos, geralmente por contato com secreções de partos ou abortos de animais infectados, ou pelo consumo de leite não pasteurizado. Além do risco à saúde pública, a doença causa perdas econômicas relevantes ao produtor, como abortos, infertilidade e redução na produção de leite, além de poder gerar restrições comerciais para propriedades com histórico da doença.
Segundo o Mapa, a vacinação contra a brucelose é hoje a única vacinação obrigatória nos rebanhos bovinos e bubalinos do país e é considerada a principal estratégia do PNCEBT para o controle da doença. Ainda assim, dados do próprio Mapa mostram que parte dos estados brasileiros segue abaixo do percentual mínimo de 80% de cobertura vacinal recomendado — o que levou a pasta a dedicar o “Mês da Saúde Animal” de maio de 2026 justamente ao tema da brucelose bovina, em uma campanha de conscientização voltada a produtores e veterinários de todo o país.
Já a certificação de propriedade livre ou monitorada de brucelose e tuberculose — diferente da vacinação, que é obrigatória — é uma iniciativa voluntária, que agrega valor sanitário e comercial ao rebanho para quem opta por buscá-la.
FONTE: Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED-MA), Sistema de Cadastro Territorial do Maranhão (STC-MA), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA)
