Com a seca típica deste período do ano no Maranhão, o gotejamento aparece como uma das formas mais eficientes de economizar água na horta ou na lavoura — aproveitando até 95% do volume aplicado. Veja por que vale a pena e como montar um sistema simples e barato.
Com o período mais seco do ano em curso no Maranhão, garantir água para hortas, quintais produtivos e pequenas lavouras se torna um desafio a mais para o produtor familiar. Nesse cenário, a irrigação por gotejamento se destaca como uma das soluções mais eficientes — e também uma das mais econômicas — para quem trabalha com pouca terra e precisa fazer cada litro de água render.
Como funciona
O sistema é simples: tubos ou mangueiras com pequenos furos (chamados gotejadores) são posicionados ao longo das fileiras de plantas. A água escorre lentamente por esses furos, direto na raiz de cada planta, em vez de ser espalhada por toda a área como acontece na irrigação convencional por aspersão.
Por que é a melhor opção na seca
A vantagem do gotejamento na época seca está justamente na eficiência do uso da água. Segundo especialistas do setor, enquanto sistemas de aspersão convencional perdem entre 20% e 30% da água aplicada por evaporação — e têm eficiência de 70% a 80% —, o gotejamento pode chegar a 90% ou até 95% de aproveitamento da água, já que ela é entregue diretamente na raiz da planta, sem molhar folhas ou o solo ao redor onde não há cultivo. Na prática, isso significa uma redução de consumo de água que pode chegar a 70%, dependendo do sistema anterior usado na propriedade.
Além da economia, o método reduz a incidência de plantas invasoras — já que apenas a área da raiz recebe água, dificultando a germinação de ervas daninhas nos espaços entre as fileiras — e diminui a lixiviação, ou seja, a perda de nutrientes do solo carregados pela água. O sistema também funciona bem em diferentes tipos de solo e relevos, sendo adaptável tanto a hortas pequenas quanto a lavouras maiores.
Passo a passo para montar um sistema simples
Para uma horta ou pequena área de cultivo, é possível montar um sistema funcional gastando pouco:
- Meça a área e planeje as linhas. Uma linha de mangueira ou fita gotejadora deve correr ao longo de cada fileira de plantas.
- Escolha a fonte de água. Pode ser a torneira, uma caixa d’água elevada — basta cerca de 1 metro de altura para gerar pressão suficiente — ou uma bomba, dependendo da estrutura disponível na propriedade.
- Instale um filtro de tela na entrada. É uma peça barata, mas essencial: evita o entupimento dos gotejadores, que é o principal problema desse tipo de sistema.
- Conecte a mangueira principal na fonte de água, usando um adaptador e o filtro logo na entrada.
- Estenda as fitas gotejadoras ou gotejadores avulsos ao longo de cada fileira, cortando no comprimento certo e fechando as pontas com um tampão.
- Use conexões (emendas em T, joelhos) para dividir a água entre as diferentes linhas, conforme o desenho da sua horta ou plantação.
- Considere um temporizador de torneira, opcional, mas que facilita bastante a rotina: ele liga e desliga a irrigação automaticamente no horário programado, sem depender de alguém lembrar de regar todos os dias.
Quanto custa
Para pequenas áreas — do tamanho de uma horta doméstica, por exemplo —, é possível montar um sistema básico com menos de R$ 100, comprando peças avulsas. Kits prontos, vendidos em lojas de jardinagem e agropecuárias, custam a partir de R$ 80 a R$ 150 para cerca de 10 metros quadrados de área cultivada, e garantem mais praticidade na montagem. Para áreas maiores, como pequenas lavouras comerciais, o investimento inicial por hectare tende a ser mais alto do que outros métodos de irrigação, mas o retorno costuma ser rápido em culturas de maior valor, como hortaliças e frutíferas, pela economia de água, o aumento de produtividade e a possibilidade de aplicar adubo diluído diretamente pelo sistema (a chamada fertirrigação).
Cuidados importantes
Vale ficar atento a dois pontos no manejo: o entupimento dos gotejadores é o problema mais comum do sistema, por isso a limpeza periódica do filtro é essencial. E, se a irrigação for feita em intervalos curtos e superficiais, a umidade constante na camada de cima do solo pode desestimular o aprofundamento das raízes — o ideal é aplicar a água em intervalos um pouco mais espaçados e por mais tempo, permitindo que ela penetre mais no perfil do solo e incentive as raízes a crescerem em busca de umidade.
FONTE: Blog da Aegro, Blog Jacto, CompreRural, Morando no Sítio e Papo de Jardim, com dados técnicos da Netafim
