Depois de anos de forte alta, o preço das áreas agrícolas no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia passou a subir mais devagar em 2026. A queda nos preços da soja e do milho deixou compradores mais cautelosos, segundo levantamentos do Incra e de empresas do setor.
O Matopiba é a região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O preço da terra lá continua alto em 2026, mas já não sobe como antes.
Nos últimos anos, a alta foi forte. Um estudo da Scot Consultoria apontou que a terra no Matopiba valorizou 200% entre 2019 e 2024. O Atlas do Mercado de Terras 2025, do Incra, confirma que os preços subiram na região, puxados pela agricultura mecanizada e por investimentos em infraestrutura. Na média nacional, o hectare chegou a R$ 22.951,94 em 2024, alta de 28,36% sobre 2022, segundo o estudo, que analisou 245 mercados regionais de terras.
O Nordeste, porém, segue com as médias mais baixas do país. Em partes do Piauí, o hectare pode custar menos de R$ 2 mil. Já no Tocantins, alguns mercados alcançam valores bem mais altos.
No Maranhão, o destaque é o sul do estado. Em Balsas, segundo a Scot Consultoria, o hectare pode passar de R$ 30 mil. Na plataforma Reland, a média dos preços pedidos em anúncios no município é de R$ 26.029 por hectare, calculada com base em 12 imóveis. O interesse também aparece nas buscas: no primeiro trimestre, Maranhão, Piauí e Pará ficaram entre os dez estados mais procurados por quem quer comprar terra rural, com a Bahia em terceiro lugar.
O freio veio em 2026. A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras do país, divulgou em junho que o hectare agricultável de suas fazendas foi avaliado em R$ 59.534, alta de apenas 1%. Nos últimos 20 anos, a média de valorização da empresa foi de 12,7% ao ano. A desaceleração reflete a queda nos preços da soja e do milho. No mercado, quem tem terra não quer baixar o preço, e quem quer comprar não consegue fechar a conta com as cotações atuais.
Para o produtor, o recado é que terra boa hoje é terra que dá renda. Em 2026, áreas com produção comprovada tendem a valer mais do que as que só estão bem localizadas no mapa, e a logística pesa cada vez mais no preço. Quem arrenda deve lembrar que a lei limita o valor do arrendamento a 15% do valor da terra nua quando é arrendada a área total. Também é preciso atenção aos contratos fechados na época de preços altos, entre 15 e 20 sacas por hectare, que já enfrentam risco de inadimplência e renegociação.
O Matopiba continua no radar dos investidores, mas 2026 pede cautela. Antes de comprar, vender ou arrendar, vale fazer as contas com base na produtividade real da área e no preço atual dos grãos.
FONTES:
CNN Brasil (Atlas do Mercado de Terras 2025, do Incra); Pecuária.com.br; Sociedade Nacional de Agricultura (estudo da Scot Consultoria); Scot Consultoria; Reland; CompreRural; AgFeed; Investidor Rural; Calculadora Rural
