Pesquisadores da Embrapa Hortaliças e da Universidade de Brasília analisam amostras de lavouras de Uruana e Santa Fé de Goiás, onde a virose causou perdas de até 100% em 2026. A suspeita é de um tipo de tospovírus ainda não registrado no Brasil, e a orientação é combater o tripes, inseto que espalha a doença.
Uma virose que destruiu até 100% de algumas lavouras de melancia em Uruana, em Goiás, está sendo investigada por pesquisadores da Embrapa Hortaliças e da Universidade de Brasília (UnB). O estudo começou a pedido dos próprios agricultores do município, preocupados com o aumento de casos nas plantações.
Segundo a pesquisadora Mônica Macedo, da área de Virologia Vegetal da Embrapa Hortaliças, tudo indica que o surto foi provocado por uma espécie de tospovírus de origem estrangeira, que até então não tinha sido relatada no Brasil. A confirmação da espécie ainda depende de tratativas com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Para identificar o vírus, a equipe recolheu folhas com mosaico, que são manchas misturando verde-claro e verde-escuro, e com amarelamento intenso em roças de Uruana e de Santa Fé de Goiás. As amostras passaram pelo Sequenciamento de Alto Rendimento, um exame genético que consegue apontar qualquer organismo presente no material. O trabalho tem a colaboração do professor Tatsuya Nagata, da UnB.
As visitas técnicas ao município aconteceram em maio, com a participação da virologista Mirtes Lima, e nos dias 9 e 10 de setembro. Os pesquisadores também reuniram produtores em uma mesa-redonda para discutir formas de manejo. Goiás já havia enfrentado um grande surto em 2013, causado principalmente por tospovírus transmitidos pelo tripes, um inseto muito pequeno.
No Maranhão, os dados mais recentes da Produção Agrícola Municipal, do IBGE, mostram que o estado colheu 25.763 toneladas de melancia em 2025. Palmeirândia aparece como maior produtor, com 2.490 toneladas, seguida de Vitória do Mearim, com 1.800, São João do Paraíso, com 1.300, e Arari, com 1.200. As informações divulgadas sobre o estudo não citam casos da doença em lavouras maranhenses.
Para o produtor maranhense, pequeno ou grande, as orientações da Embrapa funcionam como prevenção. Logo após a colheita, o recomendado é arrancar e destruir o plantio velho, eliminar os pés de melancia que nascem sozinhos, conhecidos como tigueras, e capinar o entorno da roça, porque o mato pode servir de abrigo para o vírus e para o inseto. Contra o tripes, a indicação é instalar lonas adesivas nas bordas da plantação e fazer o controle químico de forma adequada. Ao notar folhas manchadas ou amareladas, o caminho é procurar a assistência técnica.
Outra medida em análise é o vazio sanitário, período sem plantio para quebrar o ciclo da doença. A Embrapa integra um grupo de trabalho que avalia se a regra pode ser aplicada à melancia.
FONTE:
Embrapa Hortaliças, via Planeta Campo/Canal Rural. Dados de produção: IBGE – Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025
