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Pesquisadores criam açúcar de cana de baixo índice glicêmico com resíduos de café e amendoim

O produto foi desenvolvido por pesquisadores da Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis, com apoio da Fapesp, e usa extratos tirados de grãos de café defeituosos e da película do amendoim. Segundo os responsáveis, o açúcar é absorvido mais devagar pelo organismo e não tem o sabor alterado.

Grãos de café verde descartados pela indústria e a película vermelha que envolve o amendoim viraram matéria-prima para um novo tipo de açúcar. A partir de extratos desses resíduos agroindustriais, pesquisadores ligados à Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS) desenvolveram uma sacarose de cana-de-açúcar absorvida de forma mais lenta pelo organismo, o que reduz o índice glicêmico do ingrediente sem mudar o sabor.

O índice glicêmico mede a velocidade com que o açúcar de um alimento chega à corrente sanguínea. Conforme a reportagem, alimentos com índice alto provocam picos rápidos de glicose, que podem sobrecarregar o pâncreas e desencadear doenças metabólicas no longo prazo.

Coordenadora do projeto e professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Juliana Macedo afirma que hoje há consenso de que uma dieta de baixo índice glicêmico é mais saudável e ajuda na prevenção do diabetes tipo 2 e da síndrome metabólica. Para ela, “um açúcar com essa característica, portanto, beneficiaria a todos”.

O produto foi desenvolvido em forma de cristais, para uso das indústrias de alimentos como substituto do açúcar comum em produtos processados, e já teve o registro de patente depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

A técnica usada foi a cocristalização em matriz de sacarose, que insere os extratos antioxidantes dentro dos próprios cristais de açúcar. Segundo a doutoranda Regiane de Brito Vieira, a adaptação feita pelo grupo aumentou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação do material.

Para confirmar o efeito, foi realizado um ensaio clínico com 25 voluntários ao longo de seis dias, com a glicemia monitorada por duas horas após o consumo. Os resultados preliminares indicaram que a mistura dos cocristais de amendoim e café reduziu o índice glicêmico da sacarose, que passou de médio para baixo. Os pesquisadores ainda não avaliaram o teor energético do produto.

Para o produtor, o ponto que merece atenção é o destino do que hoje é descarte. A pesquisa transforma dois resíduos agroindustriais — o café defeituoso rejeitado pela indústria e a pele do amendoim — em matéria-prima de um ingrediente com valor agregado. É a mesma lógica de economia circular que vem ganhando espaço no agro: aquilo que sai da lavoura e não serve para o mercado principal pode virar receita em outra cadeia. Vale lembrar que o produto ainda está em fase de licenciamento para a indústria e não chegou às prateleiras.

O que o caso mostra é que o valor de uma safra nem sempre está só no produto principal. O resíduo de hoje pode ser o insumo de amanhã, e quem acompanha a pesquisa sai na frente.

FONTE:
Canal Rural, com matéria produzida pela Agência Fapesp (Elton Alisson)

Redação

Agro101

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