Programas do Sebrae e do Senar mostram, com casos reais no interior do estado, como biotécnicas reprodutivas como a FIV e o acompanhamento técnico no dia a dia da fazenda estão elevando a produtividade leiteira sem precisar abrir mais pasto
Aumentar a produção de leite no Maranhão não depende só de ter mais vaca ou mais terra. É o que mostram dois trabalhos em andamento no interior do estado, apoiados pelo Sebrae e pelo Senar, que têm ajudado produtores a tirar mais litros de cada animal usando genética, manejo e gestão.
Reprodução assistida acelera o ganho genético
Um dos caminhos é o uso de biotécnicas reprodutivas. A Fazenda Grapiúna, na zona rural de São Pedro da Água Branca, é um exemplo do que a técnica pode entregar. A propriedade adotou a IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e a FIV (Fertilização In Vitro) e, mais recentemente, começou a usar também a transferência de embriões — ferramentas que aceleram o melhoramento genético do rebanho ao permitir selecionar vacas doadoras de alto potencial produtivo.
O resultado apareceu nos números da fazenda: a produção, que era de cerca de 5,5 litros por vaca ao dia, subiu para a faixa de 10 a 11 litros com o melhoramento genético. Com a chegada das primeiras bezerras nascidas de transferência de embriões, a expectativa do produtor Reginaldo Ataídes é alcançar entre 22 e 25 litros de média.
Segundo o Sebrae, esse avanço só é possível quando a genética caminha junto com manejo e nutrição — um animal com potencial produtivo alto só entrega resultado se tiver alimentação de qualidade, boas pastagens e cuidado diário. O suporte à fazenda veio pelo Sebraetec, programa que também atendeu outros 317 produtores maranhenses entre 2025 e 2026 com soluções de IATF e FIV, com investimento de R$ 12,7 milhões no período.
Gestão e manejo nutricional, sem abrir área nova
Outro caminho, complementar ao da genética, é o de gestão. No corredor formado por São Pedro da Água Branca, Vila Nova dos Martírios e Cidelândia, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar Maranhão vem mostrando que dá para aumentar a produção sem derrubar mais mata ou abrir mais pasto.
As propriedades acompanhadas pelo programa já somam mais de 3,8 milhões de litros de leite por ano, com um rebanho de mais de 1.500 vacas em lactação distribuídas entre os três municípios — gerando mais de R$ 10,3 milhões em renda bruta anual só na cadeia do leite.
O coordenador regional da ATeG no Oeste Sul, Egon Bastos, explica que o ganho vem do planejamento estratégico aplicado dentro da porteira, com o consultor levando a tecnologia até o produtor. Já o gerente da ATeG no Maranhão, Epitácio Rocha, aponta que quase 5 mil das mais de 10 mil propriedades atendidas pelo programa no estado são de bovinocultura de leite e corte, todas com visita contínua de técnicos.
Na prática, o modelo combina planejamento forrageiro — para manter capim e energia disponíveis o ano todo — com manejo nutricional e acompanhamento de indicadores. Três medições simples ajudam o produtor a identificar onde está o gargalo da propriedade: litros por vaca por dia, ganho de peso diário do rebanho de corte e custo por litro produzido.
Como acessar os programas
Produtores interessados em orientação técnica do Sebrae podem procurar as Unidades de Negócios na capital ou no interior do Maranhão — entre elas Açailândia, Balsas, Bacabal, Caxias, Chapadinha, Grajaú, Imperatriz, Pinheiro, Presidente Dutra, Rosário, Santa Inês e São Luís —, os Núcleos de Atendimento (NAE) em Barreirinhas, Colinas e Timon, ou as Salas do Empreendedor espalhadas pelo estado. Outras informações estão disponíveis pelo Portal Sebrae (sebrae.com.br) ou pela Central de Atendimento, no 0800 570 0800.
Já para acessar a ATeG do Senar, o caminho indicado é procurar o sindicato dos produtores rurais do município, que faz a ligação com o programa e organiza a visita do consultor à propriedade.
FONTES:
- Agência Sebrae de Notícias (ASN Maranhão) — “Melhoramento genético impulsiona produtividade da pecuária leiteira no Maranhão”
Broto Notícias — “Sem abrir um hectare a mais, pequenas cidades do Maranhão tiram quase 4 milhões de litros de leite por ano”
