Levantamento da UEMA em polos de produção de Bacabal e São Luís Gonzaga mapeou as plantas daninhas mais comuns no cultivo do coentro na região, enquanto dados da Embrapa apontam quais pragas costumam se intensificar justamente no período de estiagem
O cheiro-verde — coentro e cebolinha — está entre as hortaliças mais cultivadas nos quintais e polos agrícolas do Maranhão, com forte presença também em outras hortaliças folhosas como alface e couve. No Médio Mearim, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) foi direto ao ponto que mais preocupa quem planta essas culturas: o que cresce junto com elas e disputa espaço, água e nutrientes no canteiro.
O que a pesquisa da UEMA encontrou no Médio Mearim
O levantamento, publicado em 2023, foi feito em quatro áreas de produção de hortaliças da microrregião: os Polos de Areal e de Catucá, em Bacabal, e as áreas de Centro da Josina e Coheb, em São Luís Gonzaga. Os pesquisadores identificaram 6.727 plantas daninhas, de 54 espécies diferentes e 24 famílias botânicas, sendo Poaceae (gramíneas), Asteraceae e Fabaceae as famílias com maior número de espécies.
As espécies que mais se destacaram variaram de um polo para outro. Em Areal, predominaram beldroega (Portulaca oleracea), tiririca-amarela (Cyperus iria) e capim-pé-de-galinha (Eleusine indica). Em Catucá, apareceram as mesmas duas últimas somadas à erva-palha (Synedrella nodiflora) — e foi justamente esse polo que apresentou a maior diversidade de plantas daninhas entre os quatro estudados. Já em Centro da Josina e em Coheb, quebra-pedra (Phyllanthus niruri) foi a espécie mais relevante nos dois locais.
Segundo os autores do estudo, esse tipo de mapeamento serve de base para que produtores e técnicos definam métodos de controle mais eficientes e sustentáveis para essas plantas concorrentes, em vez de recorrer a soluções genéricas que não consideram as espécies realmente presentes em cada área.
Pragas que se intensificam no período seco
Além da concorrência com plantas daninhas, o clima seco muda o comportamento das pragas que atacam hortaliças folhosas. De acordo com material técnico da Embrapa sobre olericultura, a mosca-minadora — inseto que abre galerias dentro das folhas e pode causar murcha e secamento prematuro — prefere justamente as épocas mais secas do ano, favorecida pelo clima quente.
Ainda segundo a Embrapa, o ácaro-do-bronzeamento tem importância especial na região Nordeste, onde o clima seco e a ausência de chuvas favorecem sua proliferação — diferente de outras regiões do país, onde costuma aparecer em níveis bem mais baixos. Pulgões e tripes, sugadores que atacam a seiva das folhas, também tendem a se multiplicar mais rápido em condições de calor e baixa umidade, o que pode ainda favorecer a disseminação de doenças nas plantas.
Caminhos para reduzir o impacto
Entre as práticas recomendadas pela Embrapa para o manejo de pragas em hortaliças folhosas estão a eliminação de plantas hospedeiras de pulgões, tripes e mosca-branca nas proximidades do plantio, e o uso de armadilhas como placas adesivas de cor amarela para monitorar e reduzir a população desses insetos.
Em outras regiões do Maranhão, produtores também têm recorrido a sistemas de produção integrada como forma de sustentar a irrigação das hortaliças mesmo em períodos mais secos. Em Satubinha, por exemplo, produtores atendidos pelo Sebrae adotaram o chamado “Sisteminha”, projeto em que a água usada na criação de peixes é reaproveitada para irrigar hortaliças e pastagens — modelo citado pelo Sebrae como exemplo de prática que aumenta a resiliência da produção.
FONTES:
- MESQUITA, M. L. R.; LIMA, R. V. S. “Levantamento, identificação e análise fitossociológica de plantas daninhas no cultivo do coentro (Coriandrum sativum L.) no Maranhão” — UEMA, publicado em Ciência das Plantas: Desafios e Potencialidades em Pesquisa, Editora Científica Digital (2023)
- Embrapa — “Olericultura: Pragas e Inimigos Naturais”
Embrapa — Sistema de produção do tomate industrial, seção “Pragas — Outras pragas” (ácaro-do-bronzeamento) - Agência Sebrae de Notícias (ASN Maranhão) — “Produtores rurais de Satubinha, atendidos pelo Sebrae no Maranhão, comercializam alimentos para a prefeitura”
