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Frigoríficos do Pará enfrentam mais dificuldade que o resto do país com fim da cota chinesa

Abrafrigo aponta que o estado, apesar do segundo maior rebanho bovino do Brasil, não tem habilitação sanitária para vender a EUA, Chile, México e União Europeia — o que limita alternativas diante da redução das compras chinesas.

 

O fim da cota chinesa para importação de carne bovina brasileira deve pesar de forma mais intensa sobre o Pará do que sobre outros estados produtores. A avaliação é da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), divulgada nesta quarta-feira (26). Segundo a entidade, o Pará tem menos alternativas para redirecionar sua produção porque não conta com habilitação para vender aos principais mercados fora da China.

Os primeiros sinais desse cenário já apareceram nos números de julho. Levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), reunido pela Abrafrigo, mostra que o Brasil exportou US$ 1,63 bilhão em carne bovina e derivados no mês — queda de 5,6% na comparação com julho de 2025. O volume total embarcado recuou 16%, encerrando o mês em 308,2 mil toneladas.

Olhando apenas para a carne bovina in natura, a receita do mês somou US$ 1,447 bilhão, com retração de 5,7%, enquanto o volume exportado caiu 17,5%, para 227,89 mil toneladas. As vendas específicas para o mercado chinês tiveram queda ainda mais acentuada: recuo de 39,6% em receita, para US$ 529,24 milhões, e de 47,8% em volume, para 82,7 mil toneladas.

Por que o Pará está mais exposto

De acordo com a Abrafrigo, o Pará concentra o segundo maior rebanho bovino do país, com 25,56 milhões de cabeças. Ainda assim, o estado ocupa apenas a quarta posição em volume de abates e a sétima em exportações de carne bovina. A entidade atribui essa distância à falta de habilitação sanitária para vender a destinos como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia — mercados que, em outros estados brasileiros, ajudam a compensar eventuais quedas nas vendas para a China.

Sem esse acesso, os frigoríficos paraenses ficam com menos opções para escoar a produção que antes seguia para o mercado chinês, à medida que a cota se aproxima do limite.

Desempenho do Brasil no acumulado do ano

Apesar da queda pontual em julho, o resultado agregado das exportações brasileiras de carne bovina e derivados entre janeiro e julho ainda é positivo. No período, os embarques cresceram 3,1% em volume, somando 2,119 milhões de toneladas, e 26% em receita, alcançando US$ 11,56 bilhões.

A China segue como o principal destino do produto brasileiro, com 857,24 mil toneladas compradas — alta de 8,5% — e US$ 5,346 bilhões desembolsados, avanço de 30,95%. Isso significa que o mercado chinês respondeu, sozinho, por 46,26% de toda a receita do setor no período.

Os Estados Unidos, segundo maior comprador de carne bovina in natura do Brasil, ampliaram suas aquisições em 48% entre janeiro e julho, totalizando US$ 1,276 bilhão. Chile e União Europeia também registraram aumento nas compras no mesmo intervalo. Juntos, China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia foram responsáveis por 75,56% de toda a receita das exportações brasileiras de carne bovina in natura nos sete primeiros meses do ano — o que reforça o peso desses mercados para os estados que têm acesso a eles.

O que a Abrafrigo propõe

Diante desse cenário, a Abrafrigo defende que a ampliação do acesso do Pará a outros mercados internacionais passe a ser tratada como prioridade nas negociações comerciais do governo brasileiro, especialmente com a cota chinesa para carne bovina se esgotando.

Redação

Agro101

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