Fermentação usa principalmente o amido do grão, mas proteína, fibra, gordura e minerais permanecem e viram coprodutos como DDG e DDGS, usados na alimentação animal.
O milho que vai para a usina de etanol não deixa de alimentar o gado — ele apenas muda de forma. É o que mostra reportagem publicada pelo portal CompreRural, explicando como o grão consegue participar de duas cadeias produtivas ao mesmo tempo: a de combustível e a de alimentação animal.
Segundo a publicação, o processo de fabricação do etanol consome principalmente o amido do milho, que é fermentado por leveduras e transformado em etanol e dióxido de carbono. Proteína, fibra, parte da gordura e minerais, no entanto, não são convertidos nesse processo e permanecem disponíveis.
De acordo com a Embrapa, citada na reportagem, o amido representa cerca de dois terços do grão. A fração que sobra após a fermentação dá origem aos chamados grãos de destilaria — o DDG (Dried Distillers Grains) e o DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles), que concentram os nutrientes que não foram usados na produção do combustível.
A reportagem destaca que, como grande parte do amido é retirada, os demais componentes passam a representar uma proporção maior da matéria seca do coproduto final, o que explica seu valor nutricional. Ainda conforme a Embrapa, DDG e DDGS fornecem proteínas, aminoácidos, energia, minerais — com destaque para o fósforo disponível — e vitaminas, mas a composição pode variar de acordo com a qualidade do milho, a moagem, a fermentação e outros fatores do processo industrial.
A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), também citada na matéria, informa que DDG e DDGS são utilizados na alimentação de bovinos, suínos, aves, peixes e animais de companhia, e já são exportados sob a denominação Brazilian Distillers Grains.
Pesquisas com bovinos
A reportagem cita estudos da Universidade de São Paulo (USP) sobre o uso de DDGS em dietas de touros Nelore em terminação. Em um desses trabalhos, 40 touros foram acompanhados por 90 dias, comparando dietas com e sem coprodutos do etanol. Segundo a publicação, não foram observadas diferenças estatísticas no peso final nem no ganho médio diário entre os grupos, o que indica que esses ingredientes podem integrar dietas de terminação quando corretamente formulados.
Crescimento da indústria
Conforme dados da Hedgepoint mencionados na reportagem, o consumo doméstico brasileiro de milho deve ultrapassar 100 milhões de toneladas na safra 2026/27, com cerca de 28,5 milhões de toneladas destinadas à indústria de etanol, projetando uma produção de 12,8 bilhões de litros do biocombustível no período.
A matéria também cita análise do CEPEA sobre as margens de processamento: no primeiro semestre de 2026, o preço do etanol recuou 28% em seis meses no Brasil, enquanto o DDG caiu aproximadamente 7% — o que, segundo o estudo, aumentou a participação relativa do coproduto na receita das usinas. O levantamento aponta ainda que, entre 2020 e junho de 2026, a margem bruta média do esmagamento de milho foi de 40,7% no Brasil.
Atenção à composição
A reportagem alerta que nem todo DDGS é igual: mudanças na retirada de óleo, na fermentação e na secagem podem alterar a concentração de proteína, gordura, fibra e minerais. O excesso de enxofre, por exemplo, pode limitar a inclusão de determinados coprodutos na dieta de bovinos, o que reforça a importância de análise laboratorial e acompanhamento técnico antes de qualquer mudança na dieta de confinamento.
FONTE: CompreRural
