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Estados Unidos cortam cota de açúcar do Brasil e Nordeste pode perder US$ 30 milhões

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (23) que o Brasil poderá exportar só 100 mil toneladas de açúcar bruto com tarifa reduzida no ano fiscal de 2027. O corte, primeiro em 12 anos, deve gerar prejuízo estimado em US$ 30 milhões ao Nordeste e, segundo o setor, pode afetar cerca de 250 mil empregos.

Os Estados Unidos vão reduzir a entrada de açúcar brasileiro com imposto menor. A confirmação veio do governo norte-americano nesta quarta-feira (23): no ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro, o Brasil poderá embarcar apenas 100 mil toneladas de açúcar bruto nessa condição. No ciclo anterior, eram aproximadamente 156 mil toneladas, uma diferença de cerca de 36%.

As 55.993 toneladas retiradas do Brasil foram repassadas a 28 países concorrentes. A República Dominicana recebeu 11.931 toneladas a mais, e as Filipinas, outras 9.151 toneladas. O restante foi dividido entre 26 países. Para os demais fornecedores, as cotas continuam iguais às de 2026.

Toda a exportação brasileira nessa modalidade sai do Nordeste. Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, conta que os usineiros esperavam renegociar o volume de 2027 e saíram frustrados. Segundo ele, o Brasil tinha 152.691 toneladas da cota desde 2014, sempre atendeu às exigências, e esta é a primeira redução em 12 anos.

O dirigente afirma que o prejuízo vai além das usinas e chega a produtores de cana e fornecedores. A região deve fabricar cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar nesta safra. O produto que iria para os Estados Unidos já estava na programação das usinas e terá de ser vendido no mercado interno.

A decisão chega num momento de oferta mundial apertada. A consultoria StoneX estima déficit global de 900 mil toneladas de açúcar em 2026/27.

Cunha lembrou ainda que o setor garantiu, neste ano, cota de 180 mil toneladas para a União Europeia pelo acordo com o Mercosul e planejava embarcar 320 mil toneladas com tarifa especial. Ele disse que, se os Estados Unidos precisarem de mais açúcar, os usineiros estão prontos para atender.

Para quem planta cana e entrega a usinas nordestinas, a notícia pede atenção. Segundo o sindicato pernambucano, a perda de espaço nos Estados Unidos não atinge só a indústria, mas também os fornecedores de cana. O sistema americano funciona assim: uma quantidade fixa de açúcar entra pagando imposto menor; o que passa disso paga taxa mais alta e fica menos competitivo. Com menos espaço nessa cota, o açúcar que seria exportado vai ficar no Brasil. Vale acompanhar de perto as conversas com as usinas sobre a próxima safra.

O corte mostra como decisões tomadas fora do país chegam ao canavial. Mesmo com expectativa de maior demanda mundial, o açúcar nordestino terá menos espaço nos Estados Unidos em 2027.

FONTE:
CNN Brasil – Blog Luciana Franco (Agro)

Redação

Agro101

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