Celebrada em 11 de setembro, a data chama atenção para o segundo maior bioma do Brasil, responsável por 86% do algodão e 50% da soja nacionais, e que teve 7.235 km² de vegetação suprimida em 2025 — a maior parte no Matopiba, com o Maranhão à frente.
O Brasil celebra nesta sexta-feira, 11 de setembro, o Dia Nacional do Cerrado. A data marca o bioma que se tornou o motor da produção agrícola brasileira e, ao mesmo tempo, um dos territórios sob maior pressão ambiental do país.
A efeméride foi instituída por decreto de 20 de agosto de 2003 e homenageia o ambientalista Ary José de Oliveira, um dos fundadores da Rede Cerrado.
Um quarto do território brasileiro
O Cerrado é o segundo maior bioma do país. Sua área passa de dois milhões de quilômetros quadrados e abrange cerca de 22% do território brasileiro — percentual que o Ibama estima em 25%. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sua área contínua alcança Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Piauí, Maranhão, Rondônia, Pará, Paraná e o Distrito Federal.
O que sai da lavoura
Os números da produção explicam por que o bioma é chamado de coração do agronegócio. Levantamento apresentado pela Embrapa aponta que o Cerrado tem 207 milhões de hectares, dos quais 139 milhões são cultiváveis. As culturas anuais ocupam 14 milhões de hectares, as pastagens cultivadas, 61 milhões, e as culturas perenes, 3,5 milhões. São mais de 1 milhão de imóveis rurais de pequeno, médio e grande porte.Ainda conforme a Embrapa, a participação do bioma na produção nacional chega a 86% no algodão, 83% no sorgo, 50% na soja, 49% no milho, 43% no feijão, 36% na cana-de-açúcar e 34% na carne.
Metade do bioma ainda é vegetação nativa
Dados da Embrapa Territorial indicam que 52,2% do Cerrado permanecem com vegetação nativa e 45,9% estão sob uso agropecuário. Desse total, 30% da área do bioma é ocupada por pastagens, 14,2% por lavouras e 1,7% por silvicultura. Os produtores rurais respondem por 34,7% de toda a área preservada do Cerrado dentro de imóveis rurais.
Desmatamento cai, mas Maranhão lidera
O Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), estimou em 7.235,27 km² a supressão de vegetação no Cerrado no período de agosto de 2024 a julho de 2025 — queda de 11,49% em relação ao ciclo anterior e segundo ano consecutivo de redução, após cinco anos de alta entre 2019 e 2023.De acordo com o ministério, 77,9% desse desmatamento ocorreu no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Os estados com maior área suprimida foram Maranhão, com 2.006 km², Tocantins, com 1.489 km², e Piauí, com 1.350 km².Já os alertas do sistema Deter, referentes a agosto de 2025 a janeiro de 2026, somaram 1.905 km² no Cerrado, contra 2.025 km² no ciclo anterior — recuo de 6%.Uma diferença legal ajuda a explicar o quadro: enquanto na Amazônia a Reserva Legal exige a manutenção de 80% da vegetação nativa nas propriedades rurais, no Cerrado o percentual é de 20%, e boa parte da supressão no bioma é autorizada.
Berço das águas
O bioma responde pelos recursos hídricos superficiais de 8 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras, entre elas as bacias do Parnaíba, São Francisco, Tocantins/Araguaia, Paraná e Paraguai, onde estão muitas das principais hidrelétricas do país. No subsolo, abriga três grandes aquíferos: Guarani, Bambuí e Urucuia.
A savana mais biodiversa do planeta
Conforme o WWF-Brasil, com base no “Perfil do Ecossistema do Cerrado”, do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos, estima-se que o bioma abrigue mais de 12 mil espécies de plantas e ao menos 2.373 espécies de vertebrados, cerca de um quinto delas exclusivas do Cerrado. No bioma vivem aproximadamente 28 milhões de pessoas, o equivalente a 12% da população nacional, entre elas cerca de 80 etnias indígenas e diversas comunidades quilombolas.
O peso do Matopiba
Cerca de 91% da área do Matopiba está no bioma Cerrado, e a região responde por algo entre 10% e 11% da produção nacional de grãos.Levantamento da Serasa Experian, na terceira edição da série Mapas Agro, mostra que Maranhão e Piauí acrescentaram cerca de 43 mil hectares ao cultivo de soja na safra 2025/26, somando aproximadamente 2,72 milhões de hectares. No milho de primeira safra, os dois estados alcançaram juntos 322.842 hectares no mesmo ciclo, sendo 156.599 hectares no Maranhão — crescimento próximo de 23% em relação à safra anterior. Municípios como Balsas e Bom Jesus das Selvas, no Maranhão, aparecem entre as áreas de expansão do cereal.
FONTES:
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/Prodes e Deter); Embrapa e Embrapa Territorial; Ibama; Agência Senado; WWF-Brasil; Serasa Experian (Mapas Agro).
