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Busca por proteína faz whey quase triplicar de preço e pesa no bolso do Brasil

Levantamento da consultoria StoneX mostra que a tonelada do WPC80 saltou de cerca de US$ 10 mil para US$ 28 mil nos Estados Unidos. No Brasil, que importa cerca de 70% do produto, o quilo chegou a R$ 180 em setembro. Procura aquecida, pouco soro e falta de estrutura industrial explicam a alta.

O whey protein, aquele pó de proteína feito com o soro que sobra da fabricação do queijo, está cada vez mais caro. Segundo a StoneX, o WPC80, versão concentrada com 80% de proteína, custava cerca de US$ 10 mil a tonelada nos Estados Unidos no início de 2025 e chegou a US$ 28 mil em agosto deste ano. O WPI, isolado com pelo menos 90% de proteína, subiu 47% e alcançou US$ 32 mil. O WPC34, menos concentrado, ficou 40% mais caro.

No Brasil, o quilo do WPC80 bateu R$ 180 em setembro, alta de 24% sobre junho, de acordo com a MilkPoint Mercado.

A primeira explicação está no prato do consumidor. Os alimentos ricos em proteína ganharam força depois da pandemia e receberam novo empurrão com as canetas emagrecedoras. Como o remédio tira o apetite, quem usa passou a buscar mais proteína para não perder massa magra, explica Juliana Torres Santiago, analista da StoneX. Hoje, a proteína do leite aparece em barras, snacks, chocolates, pães e até vinhos e cervejas.

O segundo motivo é o soro. A produção de queijo no Brasil cresce de 4% a 5% ao ano, segundo Valter Galan, sócio da MilkPoint, enquanto as bebidas proteicas crescem em ritmo de dois dígitos há anos. Para Marcel de Barros, CEO da Tirolez, esse descompasso pressiona os preços no mundo todo.

O terceiro ponto é a indústria. Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no país são importados. Mesmo com mais de 35 bilhões de litros de leite por ano, segundo o IBGE, falta estrutura para transformar o soro em ingrediente proteico, avalia Juliana.

Sooro Renner e Grupo Piracanjuba estão entre as empresas que investem no setor. Para Eduardo Serra, CEO da Sooro Renner, os preços tendem a se acomodar nos próximos três anos.

Para o produtor de leite e para quem faz queijo, a notícia mostra que o soro, que sobra da produção, virou matéria-prima valorizada no mercado de proteínas. Com a procura firme e novas fábricas sendo anunciadas, pode surgir espaço para aproveitar melhor esse subproduto. No Maranhão, laticínios e queijarias têm motivo para acompanhar esse movimento de perto. Mas é bom lembrar: transformar soro em whey exige indústria cara e especializada, e essa falta de estrutura é justamente um dos gargalos apontados pelo setor no país.

A proteína do leite está em alta e a procura não deve voltar ao que era antes. A chegada de novas fábricas nos próximos anos é o que pode trazer os preços para um patamar mais estável.

FONTE:
Globo Rural (reportagem de Danton Boatini Júnior)

Redação

Agro101

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