Analista da Safras & Mercado avalia que a flexibilização de tarifas norte-americanas, válida pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas, tende a aquecer os negócios com o dianteiro bovino. A suspensão dos embarques brasileiros de carne para a União Europeia, em vigor desde a última quinta-feira (3), limita o tamanho da reação nos preços.
O mercado físico do boi gordo fechou agosto em ritmo mais acomodado, e setembro chega com chance de alta no preço da arroba. A avaliação é do analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado.
De acordo com Iglesias, agosto começou com preços aquecidos na compra de gado, mas as cotações foram cedendo ao longo das semanas. Ele aponta como causa a incidência de animais de parceria e o uso de confinamentos próprios pela indústria frigorífica, sobretudo pelas empresas de maior porte, o que permitiu boa composição das escalas de abate. Ainda assim, a média de preços nas praças em agosto ficou acima da verificada no fechamento de julho.Para setembro, o analista sinaliza maior possibilidade de valorização, puxada por um avanço nas vendas de cortes do dianteiro bovino do Brasil aos Estados Unidos, com a flexibilização de tarifas válida pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas.Ele pondera, porém, que não há espaço para movimentos explosivos nas cotações, já que passou a valer na última quinta-feira (3) a interrupção dos embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia, por causa de mudanças nas normas sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos. No dia 31 de agosto, na modalidade a prazo, a arroba era negociada assim, na comparação com o fim de julho:
- São Paulo (Capital): R$ 345, queda de 1,43%
- Goiânia (GO): R$ 335, alta de 3,08%
- Uberaba (MG): R$ 335, avanço de 3,08%
- Dourados (MS): R$ 345, ganho de 3%
- Cuiabá (MT): R$ 330, alta de 1,54%
- Vilhena (RO): R$ 333, valorização de 2,46%No atacado, os preços ficaram de estáveis a mais baixos em agosto, diante da forte concorrência com as carnes suína e de frango.
O quarto do dianteiro ficou em R$ 20 o quilo, sem mudança frente a julho, e o traseiro foi cotado a R$ 26 o quilo, baixa de 1,89%. Iglesias espera sinalização de melhora nesses cortes na primeira quinzena de setembro.
Para quem cria e vende boi, o recado é de cautela com otimismo. A análise aponta chance de alta na arroba em setembro, mas com teto: a porta dos Estados Unidos abriu por um prazo definido, enquanto a da União Europeia está fechada por ora. Na prática, quem está com animal pronto ganha em acompanhar de perto a escala dos frigoríficos e o comportamento das praças de referência antes de fechar negócio, porque o movimento indicado é gradual e não de salto.
Setembro combina uma janela de exportação que abriu e outra que fechou. Acompanhar as cotações semana a semana continua sendo a ferramenta mais segura de decisão para quem vai vender gado neste período.
FONTE:
Canal Rural — Victor Faverin e Safras News
