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PANCs: plantas que muitos chamam de mato podem virar renda e comida na mesa

Curso da Embrapa Meio Ambiente, realizado em 7 de outubro, mostrou como cultivar, manejar e preparar as Plantas Alimentícias Não Convencionais. Espécies como ora-pro-nóbis e taioba já encontram mercado e podem ajudar a diversificar a produção e a renda da agricultura familiar.

Plantas que muitas vezes nascem sozinhas no quintal ou na roça, e que muita gente arranca como se fossem mato, podem ganhar espaço no prato e no bolso do agricultor. Esse foi o recado do curso sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais, as PANCs, promovido pela Embrapa Meio Ambiente em 7 de outubro.

As PANCs são espécies ou partes de plantas que servem de alimento, mas não fazem parte do consumo diário da maioria das pessoas e, por isso, não são produzidas em larga escala. O conceito inclui também partes pouco aproveitadas de plantas conhecidas, como folhas, flores, frutos e tubérculos.

Voltado a agricultores familiares, técnicos de extensão rural, professores e estudantes, o curso tratou de formas de multiplicação, épocas de plantio, manejo, identificação das espécies, partes comestíveis, preparo e valor nutricional, com aulas práticas na horta. O pesquisador Joel Queiroga contou que o trabalho da Embrapa começou com a formação de um banco de germoplasma, uma coleção de sementes e mudas para garantir material de plantio.

Entre os participantes estava o gestor ambiental Guilherme Ranieri, autor do livro “Matos de Comer”. Ele trabalhou por mais de cinco anos no Projeto Inova na Horta, em Jundiaí (SP). Segundo ele, no período, mais de 15 toneladas de PANCs foram enviadas às 103 escolas públicas do município, beneficiando mais de 40 mil alunos. Das mais de 250 espécies produzidas, 35 foram escolhidas para a merenda.

Para Ranieri, por não terem passado pela domesticação, essas plantas mantêm mais fibras e antioxidantes. Algumas também aguentam melhor calor, solo pobre e excesso de chuva. O ora-pro-nóbis e a taioba já têm boa aceitação no mercado. Para as menos conhecidas, os agricultores apostam em cestas de orgânicos e na venda direta a restaurantes. O maior desafio, segundo ele, ainda é o consumidor não conhecer essas plantas.

Para o agricultor familiar do Maranhão e do Médio Mearim, as PANCs podem ser uma forma de diversificar a roça com plantas adaptadas ao lugar, muitas de cultivo fácil. Taioba e ora-pro-nóbis, que já encontram comprador, são um bom ponto de partida. Mas o próprio curso mostrou que é preciso conhecer bem cada planta: saber qual parte se come e como preparar. Antes de vender, vale buscar orientação técnica e pensar em canais como feiras, restaurantes e compras públicas da alimentação escolar.

Conhecer, plantar, preparar e encontrar quem compre: esse é o caminho para as PANCs saírem do quintal e chegarem ao prato e ao bolso de quem produz.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente.

Redação

Agro101

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