Modelo que reaproveita restos de cultura na compostagem, alimenta o solo com matéria orgânica e usa inimigos naturais contra pragas ganha espaço no campo. No Brasil, a área tratada com bioinsumos chegou a 46 milhões de hectares no primeiro semestre de 2026, segundo a CropLife Brasil.
Restos de hortaliças, palhada e esterco do curral. Para muita gente, isso é sobra. No Agro Circular, é matéria-prima. A proposta troca o modelo linear, em que se compra, usa e descarta, por um ciclo em que os resíduos da própria propriedade voltam para a terra em forma de adubo.
O primeiro passo é a compostagem. Segundo trabalho publicado nos Cadernos de Agroecologia, o processo transforma restos de cultura e outros materiais orgânicos em adubo de alto valor biológico, com a ajuda de microrganismos. O mesmo estudo aponta que, na produção de hortaliças, é comum perder até 50% da produção, e a compostagem evita que esse material seja jogado fora.
O segundo pilar é o solo vivo. Pesquisa da Embrapa Agrobiologia mostrou que o composto orgânico melhora a qualidade do solo mesmo depois de cinco cultivos seguidos de hortaliças. Já a Embrapa Agroindústria Tropical lembra que a matéria orgânica fornece nutrientes e ajuda o solo a segurar os nutrientes que são aplicados.
O terceiro pilar é o controle biológico, que usa fungos, bactérias e insetos benéficos, os chamados inimigos naturais, contra as pragas. E esse caminho está crescendo: segundo a CropLife Brasil, o mercado de bioinsumos movimentou R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2026, alta de 9,6%, e a área tratada subiu 18%, para 46 milhões de hectares. Em 2025, a região do Matopiba, que inclui o Maranhão, respondeu por 11% da área tratada com biológicos no país.
Para o pequeno produtor, o Agro Circular pode começar no quintal, com uma composteira simples feita com materiais que já existem na propriedade. A Lei dos Bioinsumos, de 2024, autoriza a produção para uso próprio sem registro, inclusive em associações e cooperativas, e dispensa de cadastro a agricultura familiar, desde que o produto não seja vendido. Para o grande produtor, os biológicos já entram no manejo junto com os defensivos químicos, ampliando as ferramentas contra pragas e doenças.
O recado é simples: o que sobra hoje pode alimentar a próxima safra. Como parte das regras da Lei dos Bioinsumos ainda aguarda regulamentação do Ministério da Agricultura, vale buscar orientação técnica antes de começar.
FONTE:
Embrapa, Cadernos de Agroecologia, CropLife Brasil e Lei nº 15.070/2024
