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Crédito para compra de terras quase dobra no Sul e atrai jovens agricultores

Os contratos de crédito fundiário na região Sul passaram de 191 em 2024 para 383 em 2025, e os recursos liberados chegaram a R$ 89,8 milhões. A linha tem ajudado jovens a comprar a própria terra e seguir no campo, mas burocracia, documentação e preço dos imóveis ainda travam o acesso.

O crédito fundiário, financiamento voltado à compra de terra por agricultores, ganhou força na região Sul do país. O número de contratos praticamente dobrou de um ano para o outro, saindo de 191 operações em 2024 para 383 em 2025.

O dinheiro liberado cresceu ainda mais: foi de R$ 32,2 milhões para R$ 89,8 milhões, alta de aproximadamente 179%. O Rio Grande do Sul liderou as contratações em 2025, com 193 operações, seguido pelo Paraná, com 124, e por Santa Catarina, com 66.

Para muitos jovens, a linha é a chance de ter a própria área sem abandonar a atividade rural. No Paraná, cerca de 45% das operações de 2025 foram feitas na modalidade destinada a esse público. Um desses jovens é Diego Samuel de Souza, de 21 anos, morador de Cantagalo (PR). Ele tenta financiar uma área que pertenceu à avó para continuar trabalhando com a família. Segundo Diego, o processo é bastante burocrático, e o pedido agora está em análise na esfera federal.

A procura ainda supera o número de contratos. Representantes do setor afirmam que haveria condições de contratar mais de 500 propostas que aguardam na fila. No Paraná, a meta da federação que acompanha os projetos é chegar a mil famílias atendidas no estado em pouco tempo.

A documentação é um dos maiores entraves: o imóvel precisa estar regularizado e georreferenciado, ou seja, com os limites mapeados por coordenadas geográficas. O preço da terra também pesa. No Paraná, o valor médio por operação chegou a R$ 265,6 mil em 2025, o maior entre os três estados do Sul.

Entidades da agricultura familiar defendem que, depois da compra, o produtor tenha acesso a crédito para produzir, assistência técnica e condições para vender a produção.

Os dados são da região Sul, mas o recado vale para o jovem do Maranhão e do Médio Mearim que sonha com a própria terra: o primeiro passo é cuidar da documentação. Imóvel regularizado e georreferenciado encurta o caminho do financiamento. Também é importante procurar o sindicato rural ou a entidade da agricultura familiar do município para se informar sobre o crédito fundiário e se planejar não só para comprar a área, mas para produzir nela, com custeio e assistência técnica.

Ter a terra é só o começo. Com documentação em dia, planejamento e acesso a crédito e assistência técnica, o jovem agricultor aumenta as chances de construir seu futuro no campo.

FONTE:
Canal Rural (matéria de Andressa Tavares, republicada por Victor Faverin)

Redação

Agro101

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