Segundo o Cepea, oferta menor e necessidade de reposição das indústrias no Rio Grande do Sul sustentaram a alta; no Maranhão, a Conab projeta crescimento de 15,1% na produção, mas o Nordeste segue dependente do arroz vindo do Sul e do Centro-Oeste.
O preço do arroz em casca voltou a subir em agosto, e a média mensal do Indicador Cepea/Irga-RS, referência do mercado gaúcho, chegou ao maior valor nominal desde abril de 2025. O Rio Grande do Sul é responsável por mais de 70% de todo o arroz produzido no Brasil, por isso o que acontece lá pesa direto no preço pago em qualquer lugar do país, inclusive no Maranhão.
Por que o preço subiu
Segundo pesquisadores do Cepea, a oferta restrita de arroz em casca dificultou a compra por parte das indústrias, que precisavam repor o estoque. Diante da dificuldade, alguns compradores chegaram a mudar as condições de negócio, como esticar o prazo de pagamento, pra conseguir fechar contrato. Já os produtores, mais firmes nos preços pedidos, apostaram que a valorização ia continuar — e, com a alta das cotações, cresceu a resistência das indústrias em pagar o valor que os produtores queriam, já que fica mais difícil repassar esse aumento pro preço do arroz beneficiado que chega ao consumidor.
No fim do mês, apareceu mais arroz disponível em algumas regiões, o que permitiu negociar lotes maiores — mas isso não derrubou o preço. Além da firmeza dos produtores, a procura de compradores de fora do país, principalmente perto do Porto de Rio Grande, ajudou a segurar as cotações lá em cima.
Maranhão aumenta a produção
Enquanto isso, no Maranhão, os números vão na direção contrária à escassez: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de arroz no estado deve crescer 15,1%, chegando a 180,5 mil toneladas. A área plantada também aumentou, alcançando 98,3 mil hectares — um crescimento de 6,2% em relação à safra anterior. Parte desse avanço vem do arroz de sequeiro (que não depende de área alagada) plantado em São Mateus do Maranhão, que puxou o crescimento da área no estado.
Segundo a Conab, esse aumento tem relação direta com os preços mais altos que o arroz vem alcançando no comércio nos últimos anos, o que despertou o interesse de mais produtores em voltar a plantar o grão, além de boas condições de clima nas últimas safras.
Nordeste ainda depende de arroz de fora
Mesmo com o crescimento da produção maranhense, o Nordeste como um todo — e o Maranhão em especial, junto com o Piauí — ainda não produz arroz suficiente pra atender o próprio consumo. A região segue precisando trazer arroz do Sul e do Centro-Oeste do país, o que encarece o produto na hora que chega ao consumidor final.
Durante a colheita local, que acontece no primeiro semestre do ano, os preços regionais costumam amenizar um pouco. Mas, como a região continua dependendo de arroz vindo de fora na maior parte do ano, o preço no Nordeste tende a se manter mais alto do que em regiões que produzem o próprio arroz que consomem — cenário que se soma diretamente à alta registrada agora no Rio Grande do Sul.
FONTE: Cepea/Esalq-USP (preços do arroz no Rio Grande do Sul) / Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), dados de produção do Maranhão / eBarn (contexto sobre dependência de arroz externo no Nordeste)
