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Criar camarão e tilápia juntos no mesmo viveiro dobra resultado de produtor em Carutapera

Com apoio técnico do Sebrae, sistema consorciado fez o camarão crescer o dobro da média do mercado; Maranhão já é o 5º maior produtor de peixe do Brasil e o que mais cresce entre os líderes do setor.

Uma técnica que ainda é vista com desconfiança por muitos produtores está dando certo em Carutapera, no litoral oeste do Maranhão: criar camarão marinho e tilápia dentro do mesmo viveiro, ao mesmo tempo. O resultado surpreendeu até quem já trabalha há tempos com aquicultura.

Como funciona o consórcio

A experiência acontece na propriedade de Jader Dias, no povoado Livramento, um sítio de 100 hectares onde também se cria gado, abelha e fruta, além do peixe. De nove viveiros que existem na propriedade, um foi destinado ao sistema consorciado, com acompanhamento técnico do Sebrae, através do Sebraetec — programa que subsidia consultoria especializada pra pequeno produtor.

Na prática, cada bicho ajuda o outro: a tilápia recebe toda a ração, e o camarão vive das sobras e dos resíduos que ficam na água, ajudando a limpar o viveiro de forma natural. Isso melhora a qualidade da água e ainda reduz o custo do manejo, porque o produtor não precisa alimentar o camarão à parte.

Os números impressionam

Depois de 90 dias de criação, os camarões já estavam pesando entre 25 e 30 gramas — mais que o dobro da média comercial, que costuma ficar em torno de 12 gramas. As tilápias, por sua vez, chegaram a pesar entre 1,1 e 1,2 quilo, com expectativa de bater 1,5 quilo na próxima despesca.

“O sentimento é de alegria e felicidade por ver o resultado de um investimento que antes não tinha dado certo. Mas o negócio é insistir, persistir e buscar orientação. Hoje estamos vendo que dá certo”, conta o produtor Jader Dias, que já tinha tentado a atividade antes, sem sucesso, e só conseguiu bons resultados depois da consultoria técnica.

Conta que fecha no bolso

O sistema também compensa financeiramente. Na propriedade, o custo pra produzir um quilo de tilápia fica em torno de R$ 4, enquanto o quilo do camarão sai por cerca de R$ 1,50 — bem mais barato, já que ele se alimenta das sobras. Vendido a partir de R$ 45 o quilo, o camarão vira um lucro extra sobre a mesma área e a mesma água que já era usada só pra criar peixe.

Segundo o coordenador estadual do Sebraetec, Cícero Almeida, a expectativa é alcançar mais de 15 toneladas de camarão por ano só nesse viveiro. Já o secretário municipal de Pesca e Aquicultura de Carutapera, José Luis Pantoja Alves, avalia que a propriedade pode servir de exemplo pra outros produtores da região se animarem a investir no sistema.

Maranhão é o estado que mais cresce na criação de peixe

A experiência de Carutapera acontece justamente num momento em que o Maranhão vem se destacando na aquicultura nacional. Segundo o Anuário de Piscicultura Brasileiro (Peixe BR) de 2026, o estado produziu cerca de 59,6 mil toneladas de peixe em 2025, ficando entre os cinco maiores produtores do país — e foi o que mais cresceu entre os dez maiores, com alta de 9,36% no ano, superando até o Paraná, líder nacional.

A maior parte da produção maranhense (42,7 mil toneladas) é de espécies nativas, seguida pela tilápia (5,8 mil toneladas) e outras espécies (11,1 mil toneladas). Quase toda essa produção — 90% — acontece em viveiros escavados, modelo mais usado no estado. Os municípios que mais se destacam em área de viveiro são Matinha, Bom Jardim, Vitorino Freire e Arari.

Esse crescimento também coloca o Maranhão em posição de destaque dentro do Nordeste, região que vem se consolidando como um polo importante da piscicultura e da carcinicultura (criação de camarão) no país, ao lado de estados como o Ceará, hoje o maior exportador de pescado do Brasil.

FONTE: ASN Maranhão — Agência Sebrae de Notícias / Anuário de Piscicultura Brasileiro (Peixe BR, 2026), via O Presente Rural

Redação

Agro101

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