Enquanto o Brasil caminha para uma safra recorde de carne suína em 2026, o Nordeste cresce 6% no abate no primeiro trimestre, impulsionado por Bahia e Ceará e pela produção de grãos no Matopiba.
O Brasil se encaminha para um ano de produção recorde de carne suína, com a oferta elevada pressionando os preços para baixo mesmo às vésperas do período de festas de fim de ano — quando tradicionalmente as cotações sobem. Nesse cenário nacional, o Nordeste também amplia sua participação no setor.
Nordeste cresce 6% no primeiro trimestre
No primeiro trimestre de 2026, a região Nordeste abateu aproximadamente 180 mil suínos, alta de cerca de 6% em relação ao mesmo período de 2025. Bahia e Ceará concentram os maiores volumes de abate, com aproximadamente 70 mil e 61 mil animais processados, respectivamente.
O que impulsiona o crescimento na região
Segundo Iuri Pinheiro Machado, consultor de mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a combinação entre o tamanho do mercado consumidor do Nordeste — cerca de 70 milhões de habitantes — e o avanço da produção tecnificada pode acelerar a consolidação da atividade na região, especialmente com a chegada de novas agroindústrias.
Machado também destaca o fator sanitário como estratégico para a expansão: o controle da Peste Suína Clássica (PSC), doença que afeta exclusivamente os suínos e não representa risco à saúde humana, tende a abrir espaço para um crescimento mais acelerado da suinocultura tecnificada em toda a região Norte-Nordeste.
Grãos do Matopiba favorecem a cadeia
Outro ponto favorável apontado pelo consultor é a produção de milho e soja no Matopiba — fronteira agrícola que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Os dois grãos são os principais insumos da alimentação dos suínos e respondem por cerca de 70% do custo de produção da atividade. A proximidade dessa produção tende a estimular novos investimentos na suinocultura da região.
Consumo também aponta oportunidade
O desempenho da 14ª Semana Nacional da Carne Suína, realizada em julho pela ABCS, reforça esse cenário de oportunidade: 94% das redes participantes registraram avanço em pelo menos um dos principais indicadores acompanhados, como faturamento ou volume comercializado. No Nordeste, o Grupo Mateus, maior rede varejista da região, elevou em 11% o volume de carne suína comercializado durante a campanha.
Panorama nacional: oferta recorde pressiona preços
O crescimento regional acontece justamente quando o mercado nacional de carne suína caminha para uma safra recorde. Dados do IBGE mostram que o abate de suínos no Brasil somou 15,58 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026, alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025. Com base nesses números, o Cepea avalia que o pico de produção deste ano deve ocorrer entre julho e setembro, o que tende a limitar o avanço dos preços mesmo no fim de ano.
Essa maior oferta já vem pressionando as cotações: em julho, o preço do suíno vivo em São Paulo registrou o terceiro menor valor de toda a série histórica do Cepea, com queda acumulada de 43% entre janeiro e julho. Segundo o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, o ciclo de expansão da produção nacional é resultado de margens positivas entre 2023 e 2025, impulsionadas pela boa precificação do suíno somada à queda nos preços dos grãos — o que estimulou investimentos em manejo, genética e sanidade nas granjas.
FONTES:
Movimento Econômico (dados regionais do Nordeste, com declarações de Iuri Pinheiro Machado, consultor da ABCS) / CNN Brasil, Juliana Camargo (dados nacionais do IBGE, Cepea e ABPA)
