Criar porco em pequena escala pode dar renda, mas exige planejamento, instalação bem feita e cuidado com a sanidade. Dar restos de comida aos animais é proibido por lei e pode trazer doenças graves, como a peste suína clássica, alerta a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão.
Criar porco no lote é tradição em muitas famílias do campo. Transformar isso em renda, porém, exige mais do que soltar o animal no quintal. A Embrapa é clara: pequena escala não significa criação atrasada. Segundo o pesquisador Nelson Morés, a primeira regra é a biosseguridade, que é o conjunto de cuidados para impedir a entrada de doenças no rebanho. E essas medidas são as mesmas usadas nas granjas grandes.
O planejamento vem primeiro. Publicação da Embrapa recomenda definir o objetivo e o tamanho da criação, o local, quem vai tocar o trabalho, quanto de alimento a propriedade consegue produzir, se dá para crescer depois e qual a distância dos fornecedores e dos compradores. Uma criação pequena não é inviável, ainda mais em regiões atendidas por pequenos frigoríficos.
Para instalar a pocilga, a orientação técnica é escolher terreno plano, seco e arejado, com bom acesso de veículos e facilidade para levar água e energia. O piso da construção deve ficar pelo menos 0,20 m acima do terreno em volta, com valas para escoar a água da chuva. A construção deve ser posicionada no sentido Leste-Oeste, e é bom manter grama aparada no entorno.
Na hora de construir, valem estes pontos:
- Altura: pé-direito de no mínimo 3,00 metros em todas as fases.
- Piso: de cimento, o que facilita a limpeza e o manejo.
- Circulação: acesso às salas por corredor externo, e não passando por dentro de outras salas.
Sanidade: o ponto que mais derruba criação
Entre as medidas básicas de biosseguridade estão cerca de isolamento, um local para trocar de roupa antes de entrar, combate a moscas e ratos e compra de animais de procedência conhecida, de preferência de uma origem só. No manejo, a recomendação é trabalhar no sistema “todos dentro, todos fora”, com vazio sanitário entre os lotes.
Atenção à regra mais importante: dar restos de comida aos porcos é proibido. A Instrução Normativa nº 6/2004, do Ministério da Agricultura, proíbe o uso de restos de comida na alimentação dos animais e a permanência de suínos em lixões. A AGED/MA reforça a orientação e mantém vigilância em criações, barreiras sanitárias, lixões e estradas para manter o Maranhão livre da peste suína clássica.
Para vender ou transportar os animais, a propriedade precisa estar cadastrada na AGED, e o transporte só pode ser feito com a Guia de Trânsito Animal (GTA).
Para o pequeno criador, o maior risco não é o preço da ração, e sim a doença. Um descuido com a lavagem ou com a compra de um animal sem procedência pode acabar com o plantel e ainda prejudicar todos os vizinhos, porque a região perde o status sanitário. Por isso, o investimento em cerca, limpeza e origem conhecida dos animais se paga. Outra dica da Embrapa é não começar sozinho: a recomendação é entrar na atividade por meio de uma cooperativa ou associação, o que facilita comprar insumo e vender a produção.
Quem quer começar deve procurar orientação técnica antes de construir e falar com a unidade da AGED do município para regularizar o cadastro e entender as regras sanitárias.
FONTES:
Embrapa (Portal Embrapa e publicações da Infoteca); Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (AGED/MA); Conselho Regional de Medicina Veterinária do Maranhão (CRMV-MA); Agroportal; portarias da AGED/MA
