Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Sem caminhão a safra não sai da porteira: Brasil celebra o Dia do Caminhoneiro em 16 de setembro

Data oficial foi criada pela Lei nº 11.927, de 2009, mas a categoria também é lembrada em 30 de junho e 25 de julho. Dados da ANTT apontam cerca de 620 mil caminhoneiros autônomos no país, e a soja é a carga que eles mais carregam.

Todo saco de arroz, todo litro de leite e toda carga de milho que sai da roça passa, em algum momento, pela caçamba de um caminhão. É por isso que o dia 16 de setembro entrou no calendário brasileiro como o Dia Nacional do Caminhoneiro, uma homenagem a quem passa semanas longe de casa para manter o abastecimento funcionando.

A data foi criada pela Lei nº 11.927/2009, sancionada em 17 de abril de 2009 pelo então vice-presidente da República, José Alencar, e publicada no Diário Oficial da União em 20 de abril do mesmo ano. A lei nasceu de um projeto do deputado Celso Russomanno e teve como objetivo oficializar uma data que a categoria já usava de maneira informal.

No Brasil, o caminhoneiro é lembrado em três momentos diferentes do ano, e isso costuma gerar confusão.

O primeiro é 30 de junho, uma data regional. Ela foi criada em 30 de dezembro de 1986, quando o então governador Franco Montoro assinou a Lei estadual nº 5.487/86, instituindo o Dia do Caminhoneiro em São Paulo.

O segundo é 25 de julho, dia de São Cristóvão. Diferente das outras duas, essa não é uma data oficial criada por lei, mas sim uma referência ao padroeiro dos motoristas, marcada por bênçãos, missas e carreatas nas estradas de todo o país.

O terceiro é 16 de setembro, a única data com valor nacional. Mesmo com as celebrações locais, é essa que reconhece oficialmente o papel de quem cruza o país transportando carga, enfrentando jornadas longas, estradas ruins e custo alto para rodar.

Os números ajudam a entender o tamanho da categoria. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), existem hoje cerca de 620 mil transportadores autônomos com registro ativo no RNTRC. Desse total, 85% têm apenas um veículo de tração, 11,7% têm dois e 3,3% têm três. Ou seja: a maioria é dono de um caminhão só, e é dele que sai o sustento da família.

A profissão também vem se renovando. Em 2025, a ANTT emitiu 51.024 novos registros para transportadores autônomos, o segundo maior número em 21 anos de exigência do cadastro, atrás apenas de 2005, quando 68 mil entraram no mercado. A idade média de quem se cadastrou foi de 42 anos, abaixo da média da categoria, que é de 46 anos.

Outro dado chama atenção: 16,3% dos registros emitidos em 2025 foram de mulheres, o maior percentual de entrada de caminhoneiras já registrado pela ANTT. Na média geral, elas ainda representam 10,7% dos cadastros de autônomos.

Contando todas as categorias, o setor é ainda maior. Em dezembro de 2025, o RNTRC reunia 1.049.805 transportadores entre registros ativos, pendentes e suspensos.

O peso do agronegócio nessas viagens é enorme. Levantamento da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) mostra que os autônomos movimentaram 204,6 milhões de toneladas de carga em 2025. O mês mais forte foi agosto, com 20,3 milhões de toneladas, seguido por julho e setembro, com 20,1 milhões cada.Nesses meses de pico, o número de caminhoneiros rodando ao mesmo tempo também sobe: foram 169,2 mil em agosto e 170,7 mil em setembro.

É exatamente o período de escoamento de safra, quando o frete fica mais disputado.

E o que vai dentro dessas carretas? Do volume que a ANTT conseguiu identificar nos manifestos de carga — 95,3 milhões de toneladas —, 15,4% foi soja. Depois vêm o milho (9,16%), o cimento (8,35%), os fertilizantes (3,73%) e o farelo de soja (2,74%). Mais da metade do total transportado (53,4%) não teve o tipo de carga identificado nos registros.

Se o caminhão é a espinha dorsal do abastecimento, a estrada é o gargalo. O Atlas CNT do Transporte 2025 aponta que o modo rodoviário responde por cerca de 65% do transporte de cargas e 95% do transporte de passageiros no país.

A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 traz um retrato específico do Maranhão. Foram avaliados 4.724 quilômetros no estado, o equivalente a 4,1% de toda a malha pesquisada no Brasil. No estado geral, 0,2% dos trechos ficaram como “ótimo”, 10,3% como “bom”, 46,3% como “regular” e 25,7% como “ruim”.

O detalhamento é ainda mais duro. No quesito pavimento, 16,4% da extensão avaliada no Maranhão foi classificada como ruim e 19,8% como péssima, sendo que 2,8% está com o asfalto totalmente destruído. As pistas simples predominam em 98,1% dos trechos, falta acostamento em 34,2% deles e 64,7% das curvas perigosas não têm sinalização.A pesquisa identificou 489 pontos críticos no estado e calcula que as condições do pavimento maranhense elevam em 46,4% o custo operacional do transporte. Para recuperar as rodovias do Maranhão, seriam necessários R$ 5,32 bilhões. Só os acidentes geraram prejuízo de R$ 428,66 milhões em 2024.

Esse custo não fica no bolso do motorista: ele volta para o produtor, embutido no valor do frete, e chega ao consumidor no preço do produto na prateleira.

Para o Maranhão, o assunto pesa ainda mais por causa do porto. De acordo com o Anuário Agrologístico 2026, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Porto do Itaqui passou de 11,55 milhões de toneladas de grãos embarcadas em 2021 para 20,14 milhões em 2025.O documento mostra que os portos do chamado Arco Norte responderam por 39,5% das exportações brasileiras de soja e milho em 2025 — 36,2% no caso da soja e 48% no caso do milho.

A Conab também aponta um problema que o produtor conhece bem: falta lugar para guardar a produção. A projeção é de um déficit de 15,9 milhões de toneladas na capacidade de armazenamento em 2026, já que a primeira safra deve chegar a 218,2 milhões de toneladas enquanto a estrutura disponível fica em 202,3 milhões. Além disso, cerca de 95% das unidades armazenadoras usam o caminhão como principal meio de transporte, o que aumenta o custo e pressiona as estradas justamente no período de safra.

No dia a dia da roça, esses números aparecem de forma bem concreta. É o caminhão que leva o arroz, o milho, o feijão, a farinha, o leite e o babaçu do interior para as feiras, para os centros de distribuição e, no caso dos grãos, para a linha que termina no porto.

É também o caminhão que traz o caminho de volta: adubo, semente, ração, remédio de gado, peça de máquina. Quando a estrada piora ou o diesel sobe, os dois lados dessa conta ficam mais caros — o que sai e o que entra.

Por isso, mais do que uma data para parabenizar o motorista, o 16 de setembro serve para lembrar que segurança nas estradas, manutenção das rodovias e condições dignas de trabalho para o caminhoneiro são assunto direto de interesse do produtor rural.

FONTES:
Lei nº 11.927/2009 (Portal N10) · Planeta Caminhão · Vtruck · Prefeitura de Sapezal/MT · Agência Brasil/EBC · ANTT / CNTA (via Carga Pesada e Pena Estrada) · Mundo Logística · Pesquisa CNT de Rodovias 2025 (repositório ITL) · Atlas CNT do Transporte 2025 (via IBL) · Anuário Agrologístico 2026 da Conab (via CNN Brasil e Jornal Pequeno)

Redação

Agro101

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *