Com investimento de R$ 52 milhões, a unidade será instalada em Jaguaribara, no Ceará, e deve começar a funcionar em 2028. A tecnologia, criada por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), transforma a pele do peixe em curativo para queimaduras e pode chegar à rede pública de saúde.
A pele da tilápia, que sobra no processamento do peixe, vai ganhar produção em escala industrial como curativo para queimaduras. A primeira fábrica do mundo desse tipo de produto será construída em Jaguaribara, no Ceará, com investimento de R$ 52 milhões. O início das operações está previsto para 2028.
A tecnologia nasceu na Universidade Federal do Ceará (UFC). As pesquisas começaram em 2015 com o médico Edmar Maciel, em parceria com cientistas do Ceará, de Pernambuco e de Goiás.
Hoje, o laboratório da universidade prepara, em média, até 600 peles por mês. Com a fábrica, a capacidade deve chegar a 4,3 mil por dia no primeiro ano de operação comercial e a até 12 mil peles em uma segunda fase. Segundo Maciel, a ideia é ampliar a oferta do curativo, e o tratamento pode ser incorporado à rede pública de saúde.
As obras devem começar em outubro e durar cerca de um ano e meio, incluindo a instalação dos equipamentos e a validação dos primeiros lotes. O projeto será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical, que venceu a licitação em julho de 2025. O consórcio vai bancar a construção e os ensaios clínicos exigidos pela Anvisa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para liberar o uso médico e veterinário.
De acordo com a pesquisa, o tratamento pode custar até 52% menos que os métodos tradicionais. O principal motivo é a redução no número de trocas de curativo, que costumam ser dolorosas. A pele passa por preparo e esterilização, é desidratada e embalada a vácuo, o que reduz o risco de contaminação e dispensa refrigeração.
“Além de aproveitar um resíduo da cadeia produtiva da piscicultura, a pele de tilápia pode ajudar a reduzir custos hospitalares e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirmou Maciel.
Para quem cria tilápia no Maranhão e no Médio Mearim, a notícia mostra que o peixe pode render mais do que a carne. A pele, que costuma ser tratada como resíduo da piscicultura, passa a ser vista como matéria-prima de um produto de saúde. É um exemplo de como aproveitar melhor o que sobra da produção pode abrir novas oportunidades para a cadeia do peixe. O caso também reforça a importância de cuidar bem dos animais e do processamento, já que a qualidade da matéria-prima conta cada vez mais.
A pele de tilápia mostra que a pesquisa e a produção rural podem caminhar juntas. O próximo passo é o início das obras, previsto para outubro, com a fábrica funcionando a partir de 2028.
FONTE: Globo Rural
