Realização de lucros, petróleo em queda e incertezas sobre sanções dos EUA ao Irã levam mercado a devolver parte dos ganhos acumulados nas últimas semanas
O mercado de soja fechou em queda nesta segunda-feira (24/8), tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado físico brasileiro, interrompendo uma sequência de altas consecutivas que havia levado as cotações a patamares próximos das máximas do ano. O movimento é atribuído principalmente à realização de lucros por parte dos investidores, que aproveitaram a valorização acumulada nos últimos pregões para reduzir posições e embolsar ganhos.
Em Chicago, o contrato de soja para novembro de 2026 encerrou o pregão cotado a US$ 12,34½ por bushel, recuo de 0,40% em relação ao fechamento anterior. A queda vem na esteira de uma semana em que os preços avançaram mais de 3%, impulsionados pela surpresa positiva do Pro Farmer Crop Tour — turnê que avalia as lavouras americanas a campo — que projetou produtividade maior do que a esperada para a safra dos Estados Unidos, e por vendas expressivas ao mercado externo: cerca de 1,4 milhão de toneladas da nova safra americana foram negociadas nos pregões anteriores.
Além da realização de lucros, o recuo desta segunda-feira também refletiu a queda do petróleo, que pressiona os preços dos óleos vegetais e, por consequência, do complexo soja, e as incertezas em torno de possíveis novas sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Irã, fator que tem gerado volatilidade nos mercados de commodities de forma mais ampla.
Preços recuam também no Brasil
O movimento de baixa se repetiu no mercado físico brasileiro. Entre as principais praças, a saca de 60 kg recuou em Passo Fundo (RS), para R$ 146,50, e em Santa Rosa (RS), para R$ 147,50, além de cotações mais baixas em Cascavel (PR), a R$ 144,00, Rondonópolis (MT), a R$ 138,00, Dourados (MS), a R$ 135,50, e Rio Verde (GO), a R$ 138,00. Nos portos, o comportamento foi misto: Paranaguá (PR) subiu, para R$ 155,00, enquanto Rio Grande (RS) recuou, para R$ 154,50.
O dólar comercial, que também influencia a formação de preços da soja no mercado interno, fechou o dia em leve alta, cotado a R$ 5,1495 (+0,14%), acompanhando a valorização do Dollar Index, que avançou 0,11%, para 98,981 pontos.
Apesar do recuo, os preços seguem em patamar elevado quando comparados à maior parte do ano. Em julho, a soja havia atingido sua cotação recorde de 2026 no Porto de Paranaguá, a R$ 148,37 por saca, em 24 de julho, antes de iniciar um movimento de correção motivado pela melhora nas perspectivas para a safra norte-americana, pela desvalorização do petróleo e pela maior oferta de grãos no mercado spot nacional, segundo o Cepea.
Expectativa de negócios contidos
Para os próximos pregões, a expectativa é de continuidade de um mercado mais cauteloso, com produtores brasileiros mantendo postura conservadora na comercialização até que haja maior definição tanto no câmbio quanto nos preços em Chicago. Do lado americano, o mercado segue monitorando o ritmo das compras chinesas — a estatal Sinograin adquiriu recentemente entre 10 e 15 carregamentos de soja dos EUA, parte deles interpretada como preparativo para a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos no mês seguinte — além dos dados de condição da lavoura americana, que o USDA classificou como 63% em condições boas a excelentes em seu levantamento mais recente.
