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Plantio de moringa abre oportunidade para produzir silagem e garantir comida ao gado na seca

Árvore de origem indiana, a moringa pode ser plantada de forma adensada, cortada várias vezes no ano e transformada em silagem rica em proteína. Pesquisas do Instituto de Zootecnia de São Paulo e da Embrapa Pantanal apontam a cultura como saída para alimentar o rebanho quando o pasto seca.

A moringa, árvore que veio da Índia e hoje é cultivada em regiões quentes de todo o mundo, vem sendo estudada como fonte de alimento para o gado no período seco. Pesquisadores do Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, apontam a planta como uma opção viável para os ruminantes na estiagem, principalmente por aguentar bem a falta de chuva.

De acordo com o pesquisador Fábio Prudêncio de Campos, do IZ, as folhas têm 25% de proteína bruta e os folíolos, que são as folhinhas menores, chegam a 28%. Quando a planta é colhida com 1,60 metro e picada inteira, o material oferece 14% de proteína e digestibilidade de 64,3% na seca, resultado parecido com o dos capins tropicais no tempo das chuvas.

Para quem quer plantar, a indicação é o plantio adensado, com 50 × 20 cm entre plantas, o que dá 100 mil pés por hectare. Dependendo da quantidade de plantas, a produção pode chegar a 200 toneladas de forragem verde por hectare. A Embrapa Pantanal informou que a moringa atinge o ponto de corte com 6 meses, é fácil de cultivar e tem galhos flexíveis, que facilitam o corte. Segundo o pesquisador Frederico Olivieri Lisita, o período chuvoso é o ideal para o plantio.

Na hora de ensilar, cartilha da Emater-MG orienta misturar moringa e capim-elefante em partes iguais, com 5% de melaço de cana. Os animais devem se acostumar aos poucos: começa com 10% de moringa na ração e, depois de cerca de duas semanas, a quantidade pode subir para 20% a 40%.

O cultivo também exige atenção. As formigas saúvas atacam a planta, principalmente na implantação. Cortar acima de 1,60 metro aumenta a quantidade de talo e diminui o aproveitamento pelo animal. Já com cerca de 1 metro, a planta rende menos massa, mas é mais nutritiva.

Para o criador do Médio Mearim, que todo ano enfrenta o pasto fraco no verão, a moringa pode ser uma reserva de proteína plantada na própria terra. Como a melhor época de plantio é o início das chuvas, os próximos meses são a hora de preparar a área, conseguir sementes ou mudas e planejar o controle das formigas. Uma área pequena, bem adensada e perto do curral, rende vários cortes. Esse material pode ser guardado como silagem para o período seco, o que ajuda a diminuir a dependência de alimento comprado de fora da propriedade.

A moringa não resolve sozinha a alimentação do rebanho, mas pode reforçar o cocho na seca. Quem pretende plantar deve se organizar antes das chuvas e buscar orientação técnica para ajustar a dieta.

FONTE:
Canal Rural / Instituto de Zootecnia (IZ-Apta – SP); Embrapa Pantanal; Emater-MG

Redação

Agro101

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