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Pesquisas com gado Sindi vencem 1º e 3º lugares na ExpoGenética

Estudos de estudantes de Medicina Veterinária sobre a raça, adaptada ao semiárido, foram premiados no concurso técnico-científico do evento em Uberaba (MG).

Dois trabalhos científicos desenvolvidos com bovinos da raça Sindi — uma raça reconhecida pela rusticidade e adaptação a climas quentes, como o do semiárido nordestino — ficaram em 1º e 3º lugar na categoria Graduação do Concurso Técnico-Científico da 19ª ExpoGenética. O evento é promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) em Uberaba (MG), e a premiação aconteceu no dia 20 de agosto de 2026.

O primeiro colocado foi José Ricardo Sobral da Silva, estudante de Medicina Veterinária do Uniceplac, com um estudo pioneiro sobre predição genômica para produção de leite, intervalo entre partos e teor de gordura no leite em animais Sindi. A pesquisa testou diferentes formas de usar informações do DNA dos animais para estimar seu potencial produtivo e reprodutivo.

Segundo o autor, o objetivo é ajudar a identificar animais mais produtivos e mais bem adaptados aos sistemas de criação, com foco especial em pequenos produtores de leite, já que a raça se destaca pela eficiência alimentar e pela capacidade de se adaptar a diferentes ambientes.

O 3º lugar ficou com Júlia Carvalho de Melo, estudante de Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), que avaliou parâmetros genéticos ligados à produção de leite, à reprodução e ao teor de gordura do leite. O estudo identificou espaço para avanços na raça, mas alertou que selecionar os animais apenas pelo volume de leite pode prejudicar características reprodutivas e o teor de gordura — ou seja, o aumento da produção precisa vir acompanhado de outros cuidados genéticos.

Pesquisa ligada à Embrapa

Os dois trabalhos fazem parte de um projeto coordenado pelo pesquisador Carlos Frederico Martins, do Centro de Tecnologia de Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL), da Embrapa Cerrados, que reúne também o analista Adriano Mesquita, os pesquisadores Isabel Cristina Ferreira e Claudio Magnabosco, da Embrapa Cerrados, e Ludmilla Brunes, da Embrapa Caprinos e Ovinos.

Segundo Martins, a análise de características isoladas ou de duas características relacionadas apresentou os melhores resultados, o que pode ajudar a identificar mais cedo e com mais precisão os animais com maior potencial genético — um avanço importante para uma raça que ainda tem menos dados genômicos disponíveis do que outras raças leiteiras mais numerosas.

Já Ludmilla Brunes destacou que somar informações de DNA às avaliações de desempenho e parentesco já existentes amplia a capacidade de identificar geneticamente os melhores animais para o programa de melhoramento do Sindi.

Base com 2.441 animais

As duas pesquisas usam a mesma base de dados, reunindo informações de aproximadamente 2.441 animais. Esse conjunto inclui o rebanho do CTZL, participantes da Prova a Pasto conduzida pelo Centro, propriedades ligadas ao Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ-Leite), coordenado pela ABCZ, e um rebanho da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer-PB). O projeto tem apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

Para os pesquisadores, a expectativa é ampliar aos poucos o volume de informações genéticas disponíveis sobre a raça Sindi e contribuir para a seleção de animais mais adaptados ao clima tropical e com melhor desempenho na produção leiteira.


FONTE: MilkPoint (informações originais de O Presente Rural, adaptadas pela Equipe MilkPoint)

Redação

Agro101

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