Aposentado da Embrapa Semiárido, o engenheiro agrônomo Davi José Silva foi homenageado no dia 14 de setembro, em Juazeiro (BA). O prêmio da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo reconhece a carreira de um pesquisador que ajudou a definir a nutrição e a adubação de uva, manga, melão, banana e coco na região.
O engenheiro agrônomo Davi José Silva, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), recebeu o Prêmio Nordeste de Ciência do Solo. Ele teve papel importante na definição dos parâmetros de nutrição e adubação de culturas de grande valor econômico para a região: videira, mangueira, meloeiro, bananeira e coqueiro.
Na prática, essas pesquisas ajudaram a mostrar do que essas plantas precisam para produzir bem. Davi também liderou a criação de orientações para o uso eficiente da fertirrigação, técnica que aplica o adubo junto com a água da irrigação. O objetivo foi aproveitar melhor os insumos e cuidar dos solos irrigados em regiões áridas e semiáridas.
Outra frente de trabalho foi a calibração, a coleta de amostras e a interpretação de análises de solo e de tecido das plantas. Esses estudos acompanharam como os nutrientes se comportam na terra e como são absorvidos pelas plantas. O conhecimento ajudou a corrigir deficiências nas lavouras e a prevenir a salinização, que é o acúmulo de sal, e o desgaste dos solos irrigados no Nordeste. Entre os trabalhos mais recentes estão as normas DRIS, usadas para avaliar a nutrição da mangueira, e recomendações para aumentar a produção de uva de mesa, incluindo a cultivar BRS Vitória.
A homenagem foi anunciada em 14 de setembro, em Juazeiro (BA), na abertura da IX Reunião Nordestina de Ciência do Solo e do VII Simpósio de Mudança Climática e Desertificação. Em sua sétima edição, o prêmio da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) reconhece quem contribuiu de forma relevante para a área na região. A indicação partiu da Embrapa Semiárido e foi aprovada por unanimidade.
Formado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Davi trabalhou na Embrapa Semiárido desde 1994. Ele publicou mais de 50 artigos científicos e 39 capítulos de livros.
Para quem cultiva banana, coco, manga ou outras frutas no Médio Mearim e em todo o Maranhão, o trabalho de Davi traz uma lição direta: adubar sem orientação custa caro. Fazer a análise do solo e das plantas antes de comprar adubo ajuda a colocar só o que a lavoura precisa, na dose certa. Para quem irriga, a fertirrigação bem feita permite aproveitar melhor cada saco de adubo. O cuidado com a água e o solo também evita o acúmulo de sal, que prejudica a produção.
O prêmio reconhece uma trajetória que levou a ciência do solo para dentro das lavouras do Semiárido. Adubar com base em análise é o caminho para produzir mais e gastar melhor.
FONTE:
Embrapa Semiárido (texto de Fernanda Birolo)
