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Mulheres já são 40% de quem toma decisões no campo brasileiro, aponta Abag

Estudo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), lançado em 2 de outubro durante o GAFFFF, em São Paulo, mostra que as mulheres somam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais decisores do país. A pesquisa também aponta avanço na propriedade da terra, na escolaridade, no uso de tecnologia e menor inadimplência.

Quatro em cada dez produtores rurais que tomam as decisões no Brasil são mulheres. Elas já respondem por 40% dos 10,7 milhões de decisores do campo, segundo o estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”. A Abag lançou o levantamento no dia 2 de outubro, durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, com a Serasa Experian, a Fran6 Pesquisa e patrocínio do Sistema FAESP/SENAR.

Na parte da pesquisa feita com entrevistas, 91% das mulheres disseram ser donas, total ou parcialmente, do negócio rural. Isso representa 10 pontos percentuais a mais que dez anos antes. O estudo também cresceu na sala de aula: as gestoras com pós-graduação passaram de 24%, em 2015, para 46%, em 2026, e 77% têm ensino superior completo.

A tecnologia já faz parte da rotina. Segundo o estudo, 71% das gestoras operam sozinhas, ou com pouca ajuda, ferramentas como drones, telemetria e sistemas de gestão. Bioinsumos, biodigestores, manejo da água, bem-estar animal e genômica também aparecem no dia a dia delas.

No crédito, dados da Serasa Experian mostram que as produtoras têm inadimplência menor que a dos homens. Entre as grandes proprietárias, a taxa foi de 6,85%; entre as mulheres da Região Sul, de 5,4%. Na área ambiental, registros de trabalho escravo e de desmatamento apontados pelo Prodes, sistema que monitora o desmatamento, estão ligados principalmente a CPFs masculinos, com 77% e 67% dos casos. Entre as mulheres, os índices são de 5% e 20%.

Para Gislaine Balbinot, diretora executiva da Abag, a presença feminina faz parte da modernização do agro. “Homens e mulheres não competem no campo; eles se complementam”, afirmou. O estudo ouviu ainda, em 25 entrevistas em profundidade, produtoras de todas as regiões. Elas relataram desafios como barreiras culturais e dupla jornada, e destacaram a força das redes de apoio e do cooperativismo.

Para as mulheres do campo, inclusive no Maranhão e no Médio Mearim, o estudo mostra que formação, tecnologia e organização financeira fazem diferença. Segundo a Serasa Experian, a prudência com as contas e o cuidado com as regras ambientais e sociais dão à gestão feminina alta confiabilidade diante do mercado de crédito. O levantamento também aponta que o apoio da família, as redes de mulheres e as cooperativas ajudam a produtora a se manter à frente do negócio. Buscar capacitação técnica e informação é um caminho para ganhar espaço nas decisões da propriedade.

A mulher ocupa cada vez mais o lugar de quem decide na propriedade rural. Estudo, tecnologia e contas em dia aparecem como a base desse avanço no agro brasileiro.

FONTE:
Abag – Associação Brasileira do Agronegócio (complemento: Canal Rural)

Redação

Agro101

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