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Moleque-da-bananeira pode causar perda de até 80% nos bananais; saiba identificar a praga

A broca-do-rizoma, principal praga da bananicultura, ataca por dentro da planta e se espalha por mudas infestadas. Sem controle adequado, as perdas variam de 30% a 80%. Monitorar a lavoura e combinar diferentes formas de controle são as principais orientações para evitar o prejuízo.

Conhecida no campo como moleque-da-bananeira, a broca-do-rizoma (Cosmopolites sordidus) é apontada como a principal praga da bananicultura. O estrago acontece sem chamar atenção: as larvas do besouro entram no rizoma, o caule que fica debaixo da terra, para se alimentar. Com isso, a bananeira perde força para tirar nutrientes do solo e para formar novas raízes.

Os sinais do ataque são folhas amareladas que secam antes do tempo e cachos bem menores. Nos casos mais graves, morre a gema apical, que é o ponto de crescimento da planta. Sem sustentação por dentro, a bananeira tende a tombar com facilidade.

Segundo Fábio Kagi, gerente de assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), o besouro se espalha com facilidade pelo país dentro de mudas convencionais com ovos e larvas. Sem combate adequado, as perdas nos bananais variam de 30% a 80%.

Kagi orienta agir rápido quando a amostragem na lavoura atingir o nível crítico, combinando diferentes frentes. Uma delas é a limpeza completa do rizoma com descortiçamento, que é a retirada da casca externa. Outra é o controle biológico com o fungo Beauveria bassiana, que contamina os besouros pelo contato e pode matá-los em até dez dias. Há ainda as armadilhas de feromônio, que usam o cheiro da própria praga para atraí-la até uma solução com água.

O controle químico também é uma alternativa, mas só com produtos registrados para a banana e seguindo a bula. A escolha do método deve considerar a situação da lavoura e contar com a orientação de um profissional habilitado.

O Brasil é o quarto maior produtor mundial de banana. Segundo o IBGE, a produção passou de 6,99 milhões para 7,23 milhões de toneladas entre 2024 e 2025. De acordo com a Embrapa, a cultura ocupa cerca de 473 mil hectares e gera mais de 500 mil empregos diretos.

Para quem cultiva banana no Médio Mearim, seja no quintal ou em roça comercial, a principal lição é vigiar a base das plantas e ter cuidado com a origem das mudas, já que o besouro pode viajar dentro delas. Ao notar folhas amarelando cedo, cachos pequenos ou pés tombando, procure um técnico da Agerp ou um agrônomo antes de aplicar qualquer produto. Combinar métodos e usar apenas defensivos registrados protege a produção, o bolso e a saúde da família.

O moleque-da-bananeira age escondido, mas deixa sinais. Observar a lavoura com frequência e agir cedo, com orientação técnica, é o caminho para manter os cachos cheios e proteger a renda.

FONTE:
Revista Cultivar, com informações do Sindiveg, do IBGE (LSPA) e da Embrapa

Redação

Agro101

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